sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

A diferença entre Seedorf e Loco Abreu

Se perguntassem a cem torcedores do Botafogo se Loco Abreu pode ser considerado um ídolo, 90 deles diriam que sim. Mas, se fosse perguntado a esses mesmos torcedores se Seedorf pode ser considerado um ídolo, a maior parte responderia: "É um craque do futebol mundial, mas não é ídolo do Botafogo".

Loco Abreu ficou pouco mais de dois anos no Botafogo. Ganhou um campeonato estadual com a inesquecível "cavadinha".
Seedorf está há um ano e meio no Botafogo. Ganhou um campeonato estadual indiscutível e conseguiu se classificar para a Libertadores.

Então por que Loco Abreu é um ídolo do torcedor alvinegro, e Seedorf não?

Muitas vezes, o que faz de um jogador um ídolo não são as conquistas, nem a importância tática, nem as jogadas mirabolantes, nem mesmo a permanência no clube.
O que faz de um jogador um ídolo é algo que foge de conceitos do futebol e se transporta para um campo abstrato, quase espiritual: sua identificação com o clube.

Em 2002, fomos rebaixados para a série B. Em 2007, 2008 e 2009, perdemos a final do carioca para os molambos. Foram tempos difíceis.

Mas, em 2010, Loco Abreu chegou empenhado a evitar que a molambada igualasse nosso tetracampeonato carioca da década de 1930. Com a inesquecível "cavadinha", calou a boca de todos que não acreditaram no Botafogo e deu esperanças a toda uma geração desacreditada e pessimista.

Ele nos defendeu. Ele amou o Botafogo e nunca, jamais, abaixou a cabeça para os nossos rivais. Acredito que Loco Abreu foi um dos jogadores mais temidos não só pelas torcidas adversárias, mas também pela flapress e pela mídia de uma forma geral. Ele era respeitado e isso fazia com que nós fossemos respeitados.

Durante o tempo que permaneceu no Botafogo, El Loco conquistou a simpatia e admiração de todos. Foi extremamente importante para o time e fez muitos gols. Tinha a vantagem de ser o jogador mais alto de todos os clubes cariocas, de modo que era extremamente difícil marcá-lo.

Quando ganhou a Copa América, comemorou com a bandeira do nosso clube e, assim, fez com que todos entendessem o que é o Botafogo. Quando chegou à semifinal da última Copa do Mundo, dedicou a vitória à torcida do Botafogo. Loco Abreu conhecia nossa história e nossos ídolos, como demonstrou em diversas entrevistas. Ele, sim, era um jogador que entendia o quão sagrada era a missão de vestir a camisa que já foi de Nilton Santos, Garrincha e tantos outros.

Sua transferência para o Figueirense encerrou uma era para o Botafogo, mas não o afastou do clube que ele passou a amar. Seu vídeo de despedida (um carinho que poucos têm) quase me fez chorar.
No Figueira, novamente nos defendeu, ao beijar nosso escudo diante da torcida molamba. E ainda agora, no Rosario Central, continua torcendo, acompanhando e vestindo camisas do clube que o reconheceu como ídolo. Quem sabe um dia ele volta...

Agora vamos falar de Seedorf, um craque a nível mundial.

Quando chegou ao Botafogo, jogou muito. Fez muitos gols e jogadas decisivas. Mas há de se convir que, em momento algum, mostrou tamanha conexão espiritual com nosso clube. Para ele, o Botafogo parece ser apenas mais um entre tantos clubes pelos quais já passou. Provavelmente não conhece nossa história e não acompanhará nossos passos quando for treinador do Milan.

Seedorf nunca nos defendeu. Muito pelo contrário, por diversas vezes criticou nossa torcida e chegou a jogar nela a culpa que deveria assumir ao lado dos outros jogadores. Nos momentos decisivos, o que vimos não foi uma mágica "cavadinha", mas amareladas sem tamanho. Ele não foi líder como Loco Abreu, pois sua liderança desapareceu em campo todas as vezes em que precisamos do seu bom futebol.

Lembro-me de uma vez em que Seedorf deu entrevista com a camisa do Fluminense, após o jogo com o tricolor. Na minha opinião, não é uma atitude inteiramente condenável, mas hoje vejo nesse momento o motivo pelo qual ele nunca será como Loco Abreu: Seedorf nunca vestiu verdadeiramente a nossa camisa. O Botafogo é uma passagem, um clube do Rio de Janeiro onde ele resolveu bater uma bolinha enquanto passa férias no Leblon. Tenho certeza de que Loco jamais vestiria a camisa de qualquer outro clube para dar entrevista a repórteres da globo ou da sportv.

Felizmente, tive a chance de tirar uma foto com Loco Abreu. Com Seedorf é bem mais difícil, tamanha é a proteção em volta dele. Nenhum torcedor consegue se aproximar.

É claro que cada um tem sua opinião e, sabendo disso, vim aqui expor a minha. 

Seedorf pode ser um craque, um dos maiores jogadores da seleção holandesa e ter milhões de troféus em casa. Isso faz com que ele mereça o respeito de todos nós, mas não faz com que possa ser considerado um ídolo do Botafogo. Definitivamente, a relação entre Botafogo e Seedorf não demonstrou muita química até o presente momento. Já Loco Abreu conquistou um lugar no muro de General Severiano e ficará, sim, marcado em nossa história, não pelos títulos que conquistou, mas por ter nos defendido com unhas e dentes, bem como por ter entendido e respeitado a história e o tamanho do Botafogo.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Sobre nosso novo treinador

Ainda não fiz nenhum comentário sobre nosso novo treinador, Eduardo Húngaro.

O que penso sobre isso é que parece uma aposta altamente arriscada, tendo em vista que estamos disputando a Libertadores depois de uma ausência de 18 anos. Sim, na minha humilde opinião precisávamos de um técnico com maior experiência - embora acredite que Autuori, por exemplo, seria uma grande furada.

É claro que essa aposta foi uma grande imitação dos molambos, que, após promoverem o interino, ganharam a Copa do Brasil. 

Mas, ainda que tenha dado certo para eles, e ainda que Húngaro conheça cada jogador do elenco, há de se convir que, assim como toda aposta, existe uma chance de dar certo e outra de dar errado. 

Pelo menos economizaremos 350 mil de salário, valor que espero que seja usado para contratar um reforço à altura do campeonato que disputaremos em 2014 .Um ataque com Elias e Rafael Marques, embora não seja exatamente horrível, não tem muitas chances de chegar longe na Libertadores.

O que nos resta agora é apoiar e torcer muito! Sejamos otimistas uma vez: vai dar tudo certo!

sábado, 14 de dezembro de 2013

Libertadores, lá vamos nós!

Agora é hora de comemorar.

Depois de 18 anos, conseguimos nos classificar para a primeira fase da Libertadores e vamos enfrentar o Deportivo Quito. Marquem em seus calendarios o dia 5 de fevereiro. Vamos lotar o Maracanã!

Foi a melhor classificação do Botafogo em campeonatos brasileiros desde 1995.

Mas ainda é pouco. 

Em 2013, poderíamos ter lutado pelo titulo, não fossem as saídas de jogadores importantes e nossa inexplicável queda de rendimento no segundo turno. Desde que levamos 3x0 do Cruzeiro, tivemos campanha de time que luta para nao cair.

A classificação poderia ter vindo muito antes - e poderíamos ter entrado direto na fase de grupos -, mas tivemos que esperar mais três dias depois do fim do Brasileirão para confirmar presença.

Antes de a ultima rodada começar, o Botafogo precisava de uma combinação de três resultados para ir à  Libertadores:
- Uma vitória sobre o Criciúma no Maracanã
- O Goiás nao vencer seu jogo em casa
- A Ponte Preta não ser campeã da Copa Sul-Americana

Eu, com todo meu otimismo, achei que nenhum dos três resultados aconteceria. E, mesmo para os menos pessimistas, a probabilidade de tudo isso ocorrer ao mesmo tempo parecia mínima. 

Mas aconteceu. Estamos na Libertadores!!

Isso nao muda minha opinião sobre alguns jogadores. Afinal, nao precisávamos ter que depender de tantos resultados. 
Mas dizem por aí que, se não for sofrido, não é Botafogo. Sim, é verdade...
Ainda assim, podemos dizer que só vamos à Libertadores porque o Goiás conseguiu ser mais Botafogo do que o próprio Botafogo e, dependendo apenas de si mesmo, perdeu em casa por 3 a 0. 
A decisão de nao mostrar os placares no estádio se mostrou acertada. Isso porque, se o time soubesse que dependia somente dele mesmo para entrar no G4, provavelmente teria amarelado mais uma vez.

Mas, neste exato momento, a verdade é que nada disso tem relevância. Libertadores, lá vamos nós!

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Uma pequena homenagem a um grande homem

2013.

No ano em que perdemos Nilton Santos o mundo perdeu Nelson Mandela.

O preto e o branco sao iguais.

Sao as nossas cores.

Obrigado Nelson Mandela.


mandela

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Respeitem nossa história

No dia em que os jogadores entraram em campo de luto pela morte de Nilton Santos, o Botafogo deu mais um vexame. Perdemos para o Coritiba, em um jogo no qual dependíamos só de uma vitória para entrar no G4.

Se pararmos para pensar, perdemos todos os jogos decisivos do ano.
Depois daquele 3x0 contra o Cruzeiro, fizemos 15 pontos em 15 rodadas, uma campanha de time rebaixado.
Fomos humilhados na Copa do Brasil pelos nossos maiores rivais.
Chegamos a abrir 10 pontos de distância para o primeiro time fora do G4 e, por mais incrível que pareça, conseguimos cair para a quinta colocação.
Não voltamos porque, novamente, amarelamos nos jogos decisivos. Na nossa chance de virada contra o São Paulo na última rodada, Seedorf errou o passe e a finalização após devolução de Lodeiro.
Ontem, contra o Coxa, custei a acreditar que jogadores tão medíocres possam vestir a camisa que já foi usada por Nilton Santos.

Na semana em que fiquei refletindo acerca do que a morte de um dos maiores craques da história futebol representa, percebi que o problema não está apenas nos jogadores. O Botafogo precisa de uma mudança drástica, praticamente uma revolução.
Nilton Santos fez muito pelo Botafogo, mas o que o Botafogo fez por Nilton Santos? Não me refiro a tratamentos de saúde, mas a títulos e alegrias. O que nosso maior ídolo pôde comemorar nos seus últimos anos de vida? Infelizmente, nada. Uma de suas últimas lembranças, antes de se lançar em uma grande luta contra o mal de Alzheimer, provavelmente foi o rebaixamento para a série B.

A culpa não é apenas dos jogadores. Um clube nunca vai muito longe enquanto o presidente acreditar que lutar pelo G4 é fazer uma boa campanha. Presidente este que sequer foi capaz de cancelar sua viagem no dia da morte do nosso ídolo.

Por mim, podem todos ir embora, com exceção de alguns poucos jogadores.

Ontem, antes do jogo, perguntei ao Kio: "E se Nilton Santos tivesse morrido no dia em que fomos eliminados da Copa do Brasil, horas antes do jogo, será que teria sido diferente?".
Hoje, minha resposta é não.
A verdade é que esses jogadores não estão nem aí para o Botafogo, muito menos para Nilton Santos.
Quiseram as forças divinas que nosso maior craque nos deixasse em um dia em que não tinha jogo do Botafogo. Esses jogadores, essa diretoria... Ninguém parece ter o menor respeito à nossa história.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Um dia de luto para os amantes do verdadeiro futebol...

Posso dizer que uma das grandes paixões da minha vida é o futebol. 
Se não existisse esse esporte tão simples e tão belo, cheio de dramas e tragédias, de esperanças e milagres, provavelmente minha vida seria muito chata. 
Apesar de meus poucos 22 anos de vida, sempre procurei estudar e entender a história do Botafogo e da seleção brasileira.

Esse incrível jogador que nos deixou hoje, neste triste dia 27 de novembro de 2013, ficará marcado para sempre nessas duas belas histórias.
Uma das poucas coisas que lamento profundamente na minha vida é o fato de nunca ter visto Nilton Santos jogar.

Chorei muito. Tudo o que me restou, depois dessa trágica notícia, foi deitar em minha cama e ouvir o Glorioso hino do nosso time, enquanto penso em tudo o que esse jogador representou para o futebol, de um modo geral.
 Não apenas pelo fato de ter sido simplesmente o melhor lateral-esquerdo de todos os tempos e de ter revolucionado a própria definição de um lateral, nem mesmo por ter nos dado duas copas do mundo ou ter vestido apenas a nossa camisa, mas principalmente por ter amado verdadeiramente o Botafogo.

Os torcedores de hoje, não importa o time, tendem a dar pouco valor ao passado. Já ouvi muitos dizerem que "antigamente era fácil jogar futebol", que ninguém marcava, que não se faziam faltas. Nunca consegui enxergar isso como algo ruim, sendo bem verdade que sequer concordo com essas afirmações. O que sei é que antigamente se jogava um futebol bonito, algo totalmente diferente das frequentes peladas entre os retranqueiros times de hoje, que têm muita posse de bola (leia-se: um toca pra lá - toca pra cá extremamente chato no meio-de-campo) e pouca ofensividade. 

A diferença não está apenas no fato de que se jogava para frente, mas também na fácil constatação (por muitos ignorada) de que se jogava com amor

Em um tempo em que jogar futebol não fazia de ninguém um milionário, os jogadores tendiam a ficar muito tempo em seus times do coração, ou mesmo em times com os quais se identificavam profundamente. Mas todos sabemos que, em cada centímetro do corpo de Nilton Santos, corria um sangue alvinegro. E, desde a primeira vez em que esse craque vestiu a nossa camisa, o Botafogo nunca mais foi o mesmo.

Fico triste com a alienação futebolística de alguns seres que se dizem amantes desse maravilhoso esporte e sequer sabem quem foi Nilton Santos. Sim, eles existem. Estão por todos os lados, repetindo para quem quiser ouvir que o maior craque de todos os tempos foi Vágner Love. Para eles, o futebol começou na "era Dunga". Tudo o que veio antes, todos os craques cujos nomes eles nem querem saber, foi amador demais para ser levado em conta.

Digam o que quiserem, eu continuarei defendendo que o futebol era muito melhor nos velhos tempos.

Hoje, tudo o que um jogador tem de fazer para ser considerado um ídolo é ganhar um título. Ou dois. Mesmo que seja jogando mal. Fico triste ao constatar que Fred (nada contra, um bom centroavante para os dias de hoje) é considerado o maior ídolo da história do Fluminense, por exemplo. Um cara que só está no Fluminense por dinheiro. Que jamais jogará tanto futebol como se jogava antigamente. Mas que, dentro do burocrático estilo de jogo atual, é um ótimo jogador.

Eu poderia falar do Túlio também... Mas me entristeço toda vez que penso nele. Ele nos traiu, mas eu seria capaz de perdoá-lo. Entendo que, como todos os outros, ele não nasceu no tempo do amor à camisa, mas do amor ao dinheiro.

O que quero dizer é que não só o futebol era diferente (e muito mais interessante) antigamente, mas que os ídolos eram de verdade.
Na minha opinião, a "Enciclopédia" do futebol (apelido que não foi dado a Vagner Love, nem mesmo a Fred ou a outros queridinhos dos amantes do futebol atual) foi o maior ídolo que nosso Glorioso clube já teve. Um jogador que revolucionou não só o futebol, mas a história do Botafogo e da Seleção Brasileira. 

Alguém que todos podem, sem hesitação, chamar de craque. Os que não chamam não entendem nada de futebol.

Estou falando do futebol de verdade. 

Não tenho palavras para descrever o tamanho da minha tristeza no dia de hoje. Os botafoguenses e os verdadeiros amantes de futebol estão de luto. 
Sinto como se uma parte Gloriosa do Botafogo tivesse deixado de existir. Algo que ficou pra trás, mas que não queremos esquecer. Nem podemos.
Mas, se eu pudesse me despedir de Nilton Santos de alguma forma, diria apenas: Obrigada! Você sempre será o meu maior ídolo. 

E, assim, a "Enciclopédia" do futebol entra definitivamente para a enciclopédia do futebol. Para os que nascerem hoje, Nilton Santos já estará morto. Mas, ainda para os que nascerem daqui a um século, seu nome será pronunciado. Que assim seja.

domingo, 24 de novembro de 2013

A bolha botafoguense e a ira narcisista de Seedorf

Em entrevista ao jornal Extra, Seedorf deixou explícitos traços psicológicos que explicam diversos comportamentos no Botafogo.

Não vou me estender no mérito da condução da entrevista, que teve um claro tom adulatório. Limito-me a afirmar que não acho que tenha sido uma obra da famigerada "flapress". Foi, acredito,  uma manifestação de um novo senso comum, segundo o qual a torcida do Botafogo é a culpada pelos fracassos do clube.

Quando perguntado sobre quais seriam as causas de o Botafogo não estar em situação melhor, Seedorf respondeu (grifos meus):
"O Botafogo precisa ser aplaudido, não procurar onde foi mal. (...)  Se não tivéssemos perdido Fellype Gabriel, Andrezinho, Vitinho, Márcio Azevedo, Jadson, com certeza estaríamos brigando por outra coisa. (...) Só sei que sem esses jogadores, mas com estádio lotados, ou pelo menos cheio, alguns pontos mais a gente tinha feito em casa."
Ao longo da entrevista, também, fez declarações como as reproduzidas abaixo.
"Nunca vi um time que brigou para entrar na Champions, por exemplo, e a torcida não lotou o estádio durante o ano. Um time que está em cima desde a quinta rodada e tem a variação do torcedor que teve, é uma grande decepção."
"A gente fez ações para mostrar que era importante abraçar o time no estádio. Não é uma crítica, é uma constatação. O time não vai fazer menos porque o torcedor não vai. Mas, se vai, com certeza faz mais." 
Em suma, a equipe do Botafogo não errou. Tudo o que estava ao seu alcance foi feito, e os culpados pelo mau desempenho são externos.

É assim que funciona na bolha de general severiano. Todos os anos, todos os fracassos são atribuidos a agentes externos. Arbitragens, contusões, torcida. Sempre há algum culpado de plantão. Todos lá dentro estão blindados contra os resultados da própria incompetência.

É bem verdade que poucas são as pessoas que admitem a culpa pelos seus próprios fracassos. Buscar culpados externos sempre dá um conforto psicoloǵico. "Fizemos tudo que podíamos" é a frase preferida dos perdedores, e é ela que ouvimos todos os anos. Mas não é só isso.

O que é interessante nestes últimos anos é que, com a chegada de Oswaldo e Seedorf,  acrescentou-se um tom arrogante a tudo isso. O que era antes uma procura compulsiva por culpados externos virou um narcisismo ridículo.

Qualquer sinal de desaprovação é visto como insulto pelos narcisistas de GS. Quem não os admira, quem não os bajula, é automaticamente detestado. Típico de narcisistas. Hotchkiss lista, como os sete pecados capitais do narcisismo, os seguintes traços:
  1. Falta de vergonha (shamelessness)
  2. Pensamento mágico
  3. Arrogância
  4. Inveja
  5. Reivindicação (entitlement)
  6. Exploração
  7. Problemas com "fronteiras"
Dentre as características listadas, algumas são mais presentes que outras no clube. Desenvolvo abaixo algumas explicações sobre as características mais evidentes.

O pensamento mágico listado envolve uma visão própria de absoluta perfeição. Essencialmente, se algo de errado ocorre, quem está errado é o mundo, e não o narcisista. Para adaptar a realidade às suas fantasias, o narcisista recorre a distorções da realidade. 

Os erros do Botafogo nunca envolvem as pessoas que estão lá dentro. Quando se trata dos cartolas, o problema é, invariavelmente, das administrações passadas.

No caso dos jogadores, a temporada extenuante, a arbitragem e a ausência da torcida são os principais bodes expiatórios. Com Seedorf e Oswaldo à frente, nunca, absolutamente NUNCA, vi algum jogador do elenco admitir um mau desempenho.

A arrogância envolve a necessidade de humilhar os outros para manter-se de pé. Claramente, o narcisista vai escolher alguém mais fraco para fazer isso. A postagem anterior, da Lohana, demonstrou isso perfeitamente. Humilhar a torcida virou, nos últimos tempos, um instrumento para recobrar a moral do grupo.

E essa entrevista do Seedorf demonstrou exatamente isso. Seedorf é um narcisista que não tem vergonha de agir de modo antiético (shamelessness).  Dane-se que ainda veste a camisa, que só existe por causa da torcida. Dane-se que ganha uma fortuna exatamente por que essa torcida existe. O torcedor do Botafogo está aí para ser achincalhado e aviltado. E não há quem nos defenda.

Mas nada disso importa. Seedorf não está sendo admirado como deveria. Seedorf não tem o apoio que merece. Seedorf é, para ele mesmo, maior que o Botafogo e que essa torcidinha de merda que não comparece. Então dane-se a ética. É isso que resume a característica listada com o nome de 'reivindicação' (entitlement). O narcisista sempre acha que merece mais do que tem. E não ter o que julga meritório é visto como um insulto inaceitável.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Desçam do pedestal

Depois da goleada por 4x0 sobre o Atlético-PR, ficou muito claro que o problema desse time era mesmo falta de raça, dedicação e uma boa dose de vergonha na cara.

Agora, no entanto, o problema de falta de humildade parece ter tomado conta do elenco.

Incrivelmente, os protestos e os ovos os uniram mais. Porém, essa união se deu contra nós. Parece que eles se sentiram rejeitados pela torcida, apesar de terem feito excelente campanha este ano e serem os melhores jogadores da história do Botafogo, como Maurício Assumpção repete no vestiário após toda derrota.

No 0x0 contra a Portuguesa, o que me chamou muito a atenção foi a forma como Seedorf saiu do campo após o fim da partida. Como estava no setor oeste, ao lado do túnel que leva ao vestiário, segurei um cartaz escrito Lutem! Respeitem nossa história e, assim como outros torcedores movidos pela raiva do momento, gritei muito que estava faltando vergonha na cara. Seedorf parou, colocou as mãos na cintura em uma pose no maior estilo Cristiano Ronaldo e nos encarou, como se pensasse que somos seres inferiores a ele e não entendemos nada de futebol. 

De alguma forma, esse comportamento parece ter tomado conta de todos os jogadores. Eles parecem motivados a vencer não por nós e pelo carinho que temos dado a eles, mas por um desejo de mostrar que são muito mais do que nós pensamos. O que os motivou a vencer contra o Atlético-PR, por mais estranho que possa parecer, foi o desejo de se vingar da torcida, que não foi capaz de reconhecer o grande trabalho desse maravilhoso elenco.

Funcionou.

E, depois, eles se recusaram a comemorar a vitória com a torcida. Somos seres inferiores que jamais reconhecerão todo o trabalho e dedicação desses atletas. E eles, é claro, são deuses.

Sinceramente, essa atitude merecia um bom esporro do nosso omisso presidente. Mas, de novo, cadê ele? Será que ele não vê que essa atitude, ao invés de unir, afasta a torcida do time?

O estranho é perceber que as obrigações mudaram de lado. Não são eles, que ganham salários de 300, 500, 700 mil por mês, que têm a obrigação de entrar em campo com raça e lutar até o fim. Somos nós, torcedores que ganham um por cento do salário deles, que somos obrigados a comprar um ingresso de 60 reais para ver um time que não tem honrado a camisa que veste.

Eu, sinceramente, não acredito na vaga para a Libertadores. Nenhum time vai muito longe quando movido por um sentimento de vingança, e não de amor ao clube. Pena que não exista uma diretoria competente para mostrar isso a eles...

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Nos ja sabiamos

Nao somos profetas.

Apenas tentamos deixar registrados aqui no nosso blog o que temíamos e que tem sido a tônica do Botafogo nos últimos anos.

Para ser mais claro na gestão do político (ou se preferirem, do dentista) Mauricio Assumpcao.

Basta relermos alguns recentes posts como esse do dia 2 de setembro

http://realfogo.blogspot.com.br/2013/09/medo-da-espiral.html

Assim como esse do dia 30 de setembro

http://realfogo.blogspot.com.br/2013/09/todos-conhecem-o-fim-da-historia.html

Ou esse postado ha apenas 4 dias

http://realfogo.blogspot.com.br/2013/11/o-massacre-esta-preparado.html

Em todos eles deixamos claro que temíamos que a espiral que teimamos em entrar ano apos ano era apenas uma questão de tempo.

Hoje o adversário foi a poderosa Portuguesa dentro da nossa casa e a torcida apoiou o time ate o apito final mas, como sempre, nao conseguimos fazer um misero gol.

E o discurso dos jogadores e do treinador continua o mesmo, "nao podemos esmorecer", "vamos reagir", "lutaremos ate o fim" e bla bla bla.

E o pior e ler em alguns blogs alvinegros posts de outros blogueiros defendendo a equipe, que o Botafogo hoje luta para ir a Libertadores e outras baboseiras. 

O fato e que esse time nao da mais. 

Assim como a comissao tecnica e a diretoria. 

E preciso que novas lideranças assumam e mudem a mentalidade do clube. 

Precisamos de um presidente que cobre resultados e mostre a cada jogador o que significa vestir a camisa do Botafogo.  

Nao podemos mais viver a sina de sermos o eterno cavalo paraguaio sob pena de vermos destruída toda a nossa bela historia.

Porque se hoje amargamos essa realidade imaginem o que o futuro nos trará.

Chega de passividade!

E sim, eles merecem ovos!

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Sim, eles merecem ovos

Há quem defenda que essa não é a hora cera de começar a arremessar ovos nos jogadores. Mas eu, sinceramente, discordo.

Enquanto conquistamos alguns poucos títulos estaduais nos últimos anos, vejamos cronologicamente o histórico recente de nossos maiores rivais:

2006 - Flamengo campeão da Copa do Brasil
2007 - Fluminense campeão da Copa do Brasil
2009 - Flamengo campeão brasileiro
2010 - Fluminense campeão brasileiro
2011 - Vasco campeão da Copa do Brasil
2012 - Fluminense campeão brasileiro
2013 - Flamengo campeão da Copa do Brasil (muito possivelmente...)

E o Botafogo? 

Não ganhamos um título sério desde 1995 e não vamos à Libertadores desde 1996. Quase 20 anos!
Enquanto isso, nossos rivais ganham títulos nacionais importantes e nos vemos obrigados a secá-los todo ano na Libertadores. Sorte nossa que existe a LDU. Ou mesmo o Corinthians, que eliminou o promissor time do Vasco ano passado.

Uma pergunta que frequentemente surge na minha cabeça é: se Vasco, Flamengo e Fluminense estivessem há quase 20 anos sem ganhar um título ou participar da Libertadores, estariam suas arquibancadas tão cheias? 
Os torcedores que mais frequentam o estádio são os jovens. 
No Botafogo, justamente aqueles que nunca viram o clube ganhar nada. 
Nos rivais, aqueles que foram "puxados" para os estádios pela boa história recente dos seus clubes.

E ainda temos que ouvir nosso presidente dizer: "A torcida reclama que na hora H... Na hora H o que? Fomos a três finais estaduais em quatro anos". 
Isso é desprezar a história do Botafogo e rebaixá-lo à categoria de time pequeno... Como podemos nos contentar com finais estaduais, principalmente enquanto nossos rivais estão conquistado títulos de destaque?

Sim, tem que jogar ovos nos jogadores, na comissão técnica, na diretoria.

E que Seedorf vá logo para o Milan. 
Nos momentos em que precisamos de sua liderança, ele se mostrou omisso e nos atrapalhou. Mas aquele pênalti que perdeu contra o Cruzeiro não foi o único. A verdade é que Seedorf tem histórico de perder pênaltis em jogos decisivos, como na final da Eurocopa de 1998, no jogo entre Holanda e Bélgica que valia uma vaga na Copa do Mundo em 1998, na final da Champions League em 2003 e na final da Taça Rio este ano, caso vocês não se lembrem. Além dos pênaltis perdidos, a grande quantidade de passes errados em jogos importantes não nos permite confiar nele. 
É, Seedorf, você é um amarelão. E a culpa é da torcida, claro.

Ainda assim, amanhã comprarei meu atestado de otária para ver esse time sem raça e sem vergonha na cara jogar contra a Portuguesa na quarta feira. Mas levarei cartazes. E, se possível fosse... sim, eu tacaria ovos.

domingo, 10 de novembro de 2013

O massacre está preparado

A iminente perda da vaga para a taça Libertadores dá a nós, Botafoguenses, a impressão de que o mundo está para acabar. As gozações de rivais -- que são cada vez menos efetivas, de tão frequentes -- marcarão presença neste fim de ano.

A imprensa será impiedosa. Há alguns anos, adotou-se nos veículos de comunicação o consenso de que treinadores não são os responsáveis por sucessos ou fracassos de equipes. Há, é evidente, alguma verdade nessa afirmativa. O problema é quando ela é levada ao extremo, tão absurdo, de eximir os treinadores de quaisquer clubes da culpa por maus resultados obtidos.

No caso do Botafogo, o absurdo é ainda mais gritante. Não só os técnicos, como os jogadores, a comissão técnica, a diretoria e o presidente estão completamente isentos de culpa por qualquer coisa. Segundo nossos brilhantes jornalistas, a comissão técnica deverá, ao invés, ser louvada pelo trabalho que fez em deixar o Botafogo por tanto tempo entre as primeiras posições.

É verdade que o Botafogo vendeu parte fundamental de seu elenco este ano. É verdade também que a torcida não deu o apoio que, talvez, o time precisasse em alguns momentos essenciais. É inconteste que a longa temporada é extenuante e que a equipe sente, em seu fim, dificuldade em manter o mesmo nível que apresentava no início do ano.

Nada disso, entretanto, justifica as falhas técnicas que o time apresenta. A ausência de jogadas ensaiadas e a marcação ridícula que o Botafogo faz, também não são consequência de nada mencionado acima. Finalmente, o que é mais revoltante: a postura apática, praticamente entediada dos jogadores em campo, é INJUSTIFICÁVEL. 

Infelizmente, o escolhido como o verdadeiro culpado, o Grande Satã, foi a torcida. Os públicos do Botafogo como mandante serão analisados e contrastados com a posição na tabela de classificação. "Ora, estavam em primeiro e segundo por tanto e tanto tempo, o que fazia  a torcida em casa?", perguntar-se-ão. E, embora seja uma questão bastante complexa, a resposta -- tentadora por sua simplicidade -- será simplesmente que a torcida do Botafogo é mesmo uma merda.

Muitos torcedores, alguns dos quais heróis que foram a todos os jogos e apoiaram o time incondicionalmente, reclamarão, com boa razão, daqueles que não compareceram. Aproveito o ensejo para deixar aqui um mea culpa. Eu deveria, sim, ter ido a mais jogos. Deveria ter aberto mão do meu tempo, que hoje em dia é muito, muito precioso, para apoiar o Botafogo. E entendo a raiva que os heróis da arquibancada sentem.

Tudo que peço é que também parem para refletir sobre a posição dos outros torcedores. Li hoje um comentário muito correto, infelizmente não me recordo em qual veículo. Dizia que os que deixaram de frequentar os jogos têm um motivo. Pode não ser de fato uma boa razão, mas que eles têm um motivo, têm. É importante aceitar que nem toda a torcida é imune a fracassos. E o Botafogo colecionou muitos destes, a maioria dos quais com a arquibancada cheia.

Para que não se diga que apresentei um problema sem sugerir soluções, descrevo em seguida o que acredito ser o único meio de ação disponível.

Presidente, comissão técnica, direção e jogadores já justificaram previamente o fracasso. E já demonstraram que não dão a menor importância para o clube que representam. O que nos resta fazer é calar a boca de todos esses desgraçados que aviltam a imagem do Botafogo, e que nos escolheram como bodes expiatórios.

Ir ao Maracanã na quarta-feira é uma questão de honra. 

Por amor ao Botafogo, devemos ceder à chantagem. Por acreditarmos na eternidade do nosso clube amado, quarta-feira devemos comparecer e mostrar a eles que não estamos mortos, somente extremamente desconfiados e decepcionados com a incompetência de todos eles.

E, pelo amor de Deus, a torcida não pode estar desunida. Quem instiga essa briga interna são a diretoria e o elenco, por meio de insistentes declarações que deixam implícita a responsabilidade da torcida nos fracassos recorrentes da equipe. Estamos sendo massacrados por quem deveria estar nos defendendo.

O papel de criticar a torcida é da própria torcida, da imprensa e dos rivais. Nunca, absolutamente nunca, deve vir de dentro dos muros de General Severiano. E é isso que vem acontecendo.

Calemos a bocas daqueles que ganham dinheiro em cima de nós. Compareçamos quarta-feira. Unidos.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Inventem outra desculpa

Durante um bom número de rodadas, a queda de rendimento do nosso time foi justificada com base no cansaço dos jogadores, dada a "maratona" de jogos.

Depois da nossa ridícula eliminação da Copa do Brasil, essa maratona parece ter acabado. 

Tivemos a semana passada inteira para treinar contra o Goiás. Eles, por outro lado, tiveram um jogo duríssimo pela semifinal da Copa do Brasil e não pouparam nenhum jogador nem ontem nem na quarta (ao contrário do Botafogo, que enfrentou o Vasco com o time reserva e jogou dois pontos fora, para dar descanso aos jogadores que levaram uma goleada de 4x0).

Ainda assim, eles venceram e agora estão apenas um ponto atrás de nós.

Esse jogo foi decisivo na disputa pela Libertadores. E, como já disse em outro post, o nosso time está ficando craque em amarelar nos jogos decisivos.

Agora que não têm mais a desculpa do cansaço (que parece ser um mal que paira apenas sobre General Severiano), sei que dirão que foi azar levar um gol no final. Realmente, tem coisas que só acontecem com o Botafogo... Mas a verdade é que ontem vi um time lento e sem criatividade, que parecia ter ido a Goiânia buscar o 0x0. 

Duvido muito que consigamos a vaga na Libertadores. Temos a terceira maior queda de rendimento do segundo turno. Vamos jogar mais um ano fora e, diante da crise financeira, vender o time todo e lutar contra o rebaixamento em 2014. 
Dizem que somos pessimistas, mas a verdade é que, apesar de não sabermos definir o que acontece com o Botafogo, sabemos exatamente o que esperar. Sabemos que não podemos esperar nada desse elenco, assim como sabíamos que perderíamos para o Goiás ontem. 

Nossa dramática eliminação da Copa do Brasil selou uma trajetória descendente. O Botafogo de 2013 morreu ali.

Até o próximo ano... E que comecem logo a pensar nas desculpas para mais uma ausência na Libertadores.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Minha resposta a Seedorf

Esta semana, Seedorf afirmou que, se a torcida comparecesse mais ao estádio, o Botafogo poderia ter lutado por mais em 2013.

Caro Seedorf,

Acredito que existam alguns motivos muito óbvios para a torcida não comparecer:

1) Preço abusivo dos ingressos (e dificuldade de adquiri-los)
Sou do tempo em que o Maracanã tinha um setor chamado geral e que era possível comprar ingresso para uma parte decente por apenas 20 reais (10 reais a meia). Hoje, paga-se pelo menos o dobro disso para assistir aos jogos atrás do gol. Alguma vez você, Seedorf, já esteve na arquibancada atrás do gol? Creio que não e, talvez por isso, não entenda que passamos o primeiro tempo inteiro sem ver direito um lance do time do Botafogo. Se quisermos ir na parte central, temos que pagar pelo menos 100 reais (em jogos decisivos, 140). 
Antigamente, os preços atraíam a torcida para o Maracanã, pois mesmo torcedores em dificuldade financeira poderiam assistir aos jogos na geral. Hoje, tudo mudou. Quem tem 40 reais para dar toda semana (160 reais por mês) em um jogo de futebol? Esses preços transformaram partidas de futebol em eventos raros, e não em um hábito do torcedor. 
O torcedor que não é rico como você, Seedorf, não irá a mais de dois jogos por mês. Além dos 80 reais, ainda são gastos o dinheiro da passagem e de, no mínimo, uma água ou um refrigerante (que, no Maracanã, são caríssimos). A despesa para ir a apenas dois jogos passará dos 100 reais. 
Pelo que podemos ver, somente a classe média poderá assistir a duas partidas. Às classes mais baixas, resta escolher apenas um jogo por mês.
Para quem mora longe e gastará muito dinheiro de passagem, valerá mais a pena assistir ao jogo no boteco mais próximo, onde a cerveja é infinitamente mais barata e a visão do campo é melhor (não é atrás do gol!) e em HD.
E olhe que nem estou falando aqui sobre a dificuldade de se adquirir um ingresso, devido às poucas bilheterias e aos horários restritos de venda. Ser sócio torcedor não costuma adiantar, como se pode ver pelas constantes reclamações em relação ao programa "Sou Botafogo".

2) Horário dos jogos
Você sabia, Seedorf, que é a Globo que escolhe os horários dos jogos, e que esses horários costumam ser péssimos para o torcedor?
Quem pode comparecer a um jogo que, em plena quarta-feira, começa às 22h? Esse é o horário em que vou dormir, sinceramente. A última vez em que fui a um jogo nesse horário, cheguei em casa 1h da madrugada, tendo que acordar antes das 7h no dia seguinte (isso porque, em comparação com o resto da população, ate que acordei tarde).
Aos domingos, 16h é um horário corrido para quem se reúne semanalmente nesse dia para um almoço em família. Que horas você almoça aos domingos, Seedorf? Praticamente todas as vezes em que fui a partidas do Botafogo em domingos, tive que almoçar dentro do estádio ou nas redondezas. É claro que, com o horário de verão, 17h passa a ser muito melhor. Porém, até agora não vi a Globo passar os jogos para as 17h em 2013.

3) Falta de confiança no time
Os motivos que citei acima servem para o torcedor de qualquer time do Rio.
A falta de confiança no time, no entanto, é comum entre os torcedores do Botafogo. Em meu último post, descrevi o que nós sentimos todo anos. Começamos o ano bem, confiamos no nosso elenco, até que perdemos dez jogos seguidos e não vamos sequer para a Libertadores. TODO ANO.
Esse ano, mais uma vez, acreditamos que tudo seria diferente.
No belo cartaz que levei para o jogo da nossa eliminação da Copa do Brasil, escrevi: Acreditamos em vocês! O Botafogo é nossa vida... Dêem as suas por ele!
E, bem, parece que acreditei em vão. De novo. Porque o time que parecia ser diferente nos fez passar por mais um vexame, e diante do nosso maior rival.  
Nada justifica aquele 4x0. Não venha agora, Seedorf, dizer que se a torcida do Botafogo lotasse o estádio, nós estaríamos nas semifinais.Aquele dia ficará marcado na nossa história, e eu, que estava lá, levarei para sempre essa lembrança comigo. Sinceramente, o que tenho para te dizer sobre aquele jogo é: time que não entra em campo não merece torcida que vai ao estádio.
A excelente campanha que você diz fazermos esse ano consiste em uma vaga na Libertadores que ainda não temos certeza se será realmente nossa. Podíamos lutar pelo título ou ganhar a Copa do Brasil, mas amarelamos em ambos. E não venha me dizer que ganhamos o Carioca vencendo os dois turnos, pois torcidas de times grandes vivem de títulos grandes. Não queremos Campeonato Carioca, queremos um título de expressão. Entendeu?

Não sou torcedora de sofá, mas entendo que existem motivos reais para a torcida não comparecer ao estádio. Se pudesse voltar no tempo, teria escolhido não gastar 70 reais no ingresso para ver meu time perder por 4x0. Doeu no fundo da alma. Como você não é torcedor do Botafogo, apenas um jogador que leva uma boa grana do nosso clube, acho que não entende esse sentimento.

Sabemos do seu potencial, Seedorf. Nós o admiramos pelo jogador que é. Mas essa sua declaração parece uma mera justificativa para o que vocês poderiam ter feito, mas não fizeram (e não o contrário, como você diz). Nós poderíamos ter lutado por mais se vocês estivessem dispostos a isso.

Já viu a propaganda do Gatorade, Seedorf? Para mim, uma das frases mais verdadeiras de todas: 
"Vencer vem de dentro." 
Pense nisso e pare de jogar a culpa na torcida.

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Um trauma para a vida toda – meu sincero desabafo

Sim, eu estava lá. Comprei ingresso para a parte mista – que, de mista, não tinha nada – para ser sacaneada do início ao fim e não ter um argumento sequer para me defender. Segurei o choro durante todo o tempo, com medo de que minhas lágrimas estampassem uma manchete de jornal cujo título seria “o chororô voltou” ou algo assim. Gastei uma manhã inteira para comprar ingresso, paguei 70 reais, fiz um cartaz lindo para declarar meu amor ao Botafogo. E vi, em pleno Maracanã, um time apático, covarde e sem reação levar uma goleada do seu maior rival e dar novamente adeus à Copa do Brasil.

A desculpa de que a torcida não comparece ao estádio já está desgastada. Todo ano dizem a mesma coisa. Mas a explicação para esse fato consiste em uma matemática muito simples: se a torcida adversária for quatro vezes maior do que a nossa e ambas comparecerem no mesmo percentual, o resultado será nada menos do que 80% do estádio ocupado por eles. Embora ninguém goste de dizer isto, é a verdade: tem muito mais molambo do que botafoguense no Rio de Janeiro. E, se continuarmos assim, essa proporção se tornará cada vez mais desfavorável a nós, pois é fato que uma torcida se renova com títulos. Pesquisas mostram que nossa torcida tende a diminuir com o tempo, já que a proporção de jovens que torcem pelo Botafogo é muito menor do que de outras faixas etárias. Isso é algo muito simples de se entender, dada a história recente do clube. Eu, com 22 anos, nunca vi o Botafogo ganhar um título grande ou ir para a Libertadores. Uma torcida de um time grande jamais se renovará apenas com títulos de campeonatos estaduais enquanto os rivais próximos estiverem participando da Libertadores e comemorando títulos como o Campeonato Brasileiro e a Copa do Brasil. 

Não bastasse essa carência de títulos e participação na Libertadores, ainda temos que sofrer todo ano. Somos o cavalo paraguaio da década: ano após ano lutamos pelo título ou pela bendita vaga e terminamos o campeonato no G-9, além de sermos eliminados da Copa do Brasil de forma traumática. O sofrimento chega todo ano, mais cedo ou mais tarde, e somos obrigados a ouvir todo tipo de piadinha contra nós. Depois disso, juramos que nunca mais acreditaremos novamente, mas um novo time promissor nos faz acreditar que seremos campeões de tudo... Até a próxima decepção.

Analisando friamente, continuo acreditando que este time de 2013 é um dos melhores da história recente do Botafogo. Porém, isso parece não ser suficiente quando há uma atmosfera pessimista e um espírito de perdedor pairando sobre nós. Parece que, se esses mesmos jogadores jogassem em outro time, nas mesmas posições, seriam campeões de tudo. Mas o simples fato de estarem no Botafogo os farão amarelar nos jogos mais importantes do ano. Tomamos goleadas em dois jogos decisivos: 3x0 contra o Cruzeiro e 4x0 contra os molambos. Mas há que se admitir que, na quarta, o time se superou no quesito falta de raça, já que em momento algum parecemos estar próximos de fazer um gol. Esses jogadores aceitaram o sacode de cabeça baixa e se recolheram à sua suposta inferioridade de uma forma inacreditável, como alguém que reconhece sua incapacidade de vencer. Não fomos apenas eliminados, fomos humilhados. O “metrô da melancolia”, após o pênalti e a expulsão de Dória, estava cheio de botafoguenses mergulhados no sofrimento e na desilusão, que se consolavam como amigos de infância. E, sem resposta à altura, cada um deles foi sacaneado até entrar em casa depois daquele 4x0. Perdi a conta de quantas pessoas me chamaram de “chororô”.

Antes que venham querer culpar a torcida, gostaria de lembrar a todos que essa mesma torcida lotou o Maracanã na final da Copa do Brasil contra o Juventude em 1999 e, em vez de gols, viu a festa do adversário. Essa torcida apoiou o time até o fim em 2002 e chorou na derrota que selou o rebaixamento para a série B. Se torcida ganhasse jogo, não teríamos sido campeões em 1995 na casa do adversário. Nem mesmo uma dúzia de botafoguenses no estádio pode justificar um time que, ao invés de tentar entrar para a história do clube, simplesmente abdica de entrar em campo e nos faz passar por um dos maiores traumas futebolísticos da nossa vida. Esse time não honrou a camisa que veste, camisa esta que foi usada por jogadores como Garrincha, Nilton Santos e Didi, que fizeram do Botafogo o que ele é hoje. Esses jogadores, ao contrário de tantos craques que já tivemos, estão desconstruindo a linda história do nosso clube e transformando um passado de glórias em um presente de decepções. 

Alguém tem que gritar no ouvido de cada um deles, incluindo também Oswaldo, Maurício e a diretoria: “Acordem! Nós somos o Botafogo!”.  Prezada diretoria, somos torcedores apaixonados de um dos clubes mais importantes da história do futebol e tudo o que queremos é um título! Queremos poder comemorar, sair gritando pela rua, subir na asa do avião, fechar o túnel, ajoelhar no meio da rua, buzinar até a vizinhança toda acordar e poder mais uma vez dizer: “Somos campeões!”. Mas, em 2013, nosso sonho acabou novamente. E, depois do desrespeito à nossa Gloriosa camisa, acredito que esses jogadores mereçam jogar sem torcida. Alguém tem que entender o nosso lado: já fizemos tudo o que podíamos por eles e não aguentamos mais sofrer. Agora cabe a eles cumprir seu dever e pelo menos nos dar uma vaga na Libertadores... Caros jogadores, essa é a última chance de honrar a camisa que vocês deveriam ter orgulho de vestir. Vocês jamais estarão à altura do que representa o Botafogo, mas tratem pelo menos de não pisar em tudo que este clube já construiu.

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Hora de repensar o clube

Estamos todos arrasados.

E nao e para menos.


Perder faz parte do jogo.


Assim como eles perderam o ultimo confronto.


Mas ai esta a diferenca.


A torcida deles aplaudiu o time depois da derrota.


Porque?


Porque sentiu o esforco, a determinacao, a vontade, em outras palavras, a garra.


Coisa que nos nao tivemos ontem.


Entramos amedrontados.


A goleada comecou antes do inicio da partida.


Agora eu prucuro uma explicacao para tudo e nao encontro.


O time deles nao e melhor do que o nosso.


Mas o que ganha jogos, decisoes, e determinacao.


E hora de reflexao.


Uma coisa me parece bem clara.


Essa diretoria nao pode continuar.


E nao podemos tambem pensar em montenegros e bebetos porque sao ultrapassados.


Nos, os verdadeiros botafoguenses, estamos de luto hoje.


Sim, de luto.


Foi uma tragedia que vai nos atormentar por um bom tempo.


Mas vai passar.


E vamos ter outras oportunidades de dar a volta por cima.


Nesse grupo nao tenho mais confianca.


As eleicoies estao chegando e espero que apareca alguem com pensamento vitorioso para mudar esse quadro.


Isso e um desabafo de um torcedor indignado.


Saudacoes.

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Um erro que pode nos custar caro

Pode parecer papo de profeta do passado, mas acredito que Oswaldo cometeu um grande erro ontem ao escalar apenas dois jogadores titulares em um clássico importantíssimo em plena reta final do campeonato.

Pensei isso antes do início da partida e, apesar de saber que o time adversário era extremamente limitado, esperei uma derrota sem reação. 
Os dois gols no início do jogo me surpreenderam. Porém, me parecia óbvio, nesse instante, que sofrer um gol abalaria completamente a confiança de um time formado por jogadores jovens e inexperientes. 
Poderíamos ter feito cinco gols no primeiro tempo. Mas não fizemos. E sabíamos que, no segundo tempo, tínhamos a quem temer: Juninho. A essência do time do Vasco entrou em campo disposto a virar o jogo e deu confiança àqueles jogadores que se mostravam abalados com a superioridade do Botafogo.

Eles fizeram o gol. E, é claro, isso mudou tudo.

Ficamos excessivamente nervosos e começamos a errar tudo. Alguns jogadores, como Octavio, chegaram a mostrar desespero em campo. Nada de anormal para um monte de garotos de vinte anos em um clássico a oito rodadas do fim do campeonato...
O Vasco dominou completamente nosso meio-campo e qualquer bola que entrasse em nossa área representava um perigo enorme.
A entrada de Renato foi sábia e talvez tenha evitado a virada. Porém, não evitou o empate.
Ainda era preciso que o time tivesse uma liderança para não se perder completamente em campo. Nem falo em Seedorf, mas talvez Rafael Marques, Bolívar ou Marcelo Mattos, quem sabe.

Há quem diga que o empate foi bom. 
Mas, meus caros, me respondam: qual é o caminho mais curto para a Libertadores? 
Não podemos abandonar o Brasileiro. Principalmente porque tudo pode acontecer na quarta. Se formos eliminados, teremos que correr atrás do prejuízo no Brasileirão. Se passarmos, serão mais oito jogadores poupados em jogos importantes...
Ganhar a Copa do Brasil seria ótimo. Porém, deve-se admitir que a tarefa não é fácil.

P.S.: Semana passada fui entrevistada em General Severiano pela ESPN, que me perguntou por que a torcida do Botafogo não comparecia ao estádio. 
Vejam bem, hoje fui ao Méier comprar ingresso, mas a loja estava fechada. Depois, fui até o Maracanã mas a fila estava quilométrica. Além de ter de esperar no sol, não havia onde parar o carro. Tive de ir até General Severiano e, além dos 70 reais no ingresso (comprei na parte mista para ir com meu namorado molambo), foram 12 reais de estacionamento. 
Isso porque, coincidentemente, nenhum de nós tinha aula hoje. Mas, se formos pensar bem, o horário de funcionamento da bilheteria (de 9h às 17h) é péssimo para quem trabalha e para quem estuda. 
Enfim... mesmo de carro, gastei horas nesse trajeto. Imagine se fosse de ônibus...
Será que essa minha saga explica por que a torcida não vai ao estádio?

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

80 anos de Garrincha

Se eu perguntasse a vocês o que aconteceu de interessante no dia 16 de julho de 1958, teriam alguma ideia do que responder?

Pois bem. Esse dia ficou marcado na história por nada menos que a estréia de Garrincha em uma Copa do Mundo, na vitória por 2x0 sobre a União Soviética.


Sorte de quem estava vivo para ver o que aconteceu nos três minutos inciais do jogo. 

Garrincha driblou o lateral soviético pelo menos umas quatro ou cinco vezes e chutou na trave. A torcida, impressionada, cochichou acerca de quem era aquele menino das pernas tortas que, com dribles que mais pareciam passes de magica, encantava o mundo pela primeira vez.

Esses três minutos iniciais do jogo, que garantiram a Garrincha a titularidade na seleção brasileira e a fama dos dribles desconcertantes, são considerados até hoje um dos momentos mais nobres da história do futebol.

Mas, apesar de estar na seleção da Fifa de todos os tempos como um dos melhores jogadores que o mundo já viu, o corpo de um dos maiores ídolos do Botafogo e da seleção brasileira permanece esquecido em uma sepultura coletiva no humilde cemitério de Pau Grande. Sem as devidas homenagens que merece, o garoto que ensinou o mundo a jogar futebol permanece esquecido e abandonado...


Se estivesse vivo, Garrincha completaria hoje 80 anos.


Parabéns, Garrincha, por ter sido simplesmente o melhor jogador que o Brasil já teve.


''Quem viu, viu... Quem não viu, só pode imaginar.''

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Parabéns ao blog - 1 ano de existência!

Um ano depois, continuamos amando o Botafogo de forma incondicional.

Como tantas vezes enfatizei, o Botafogo não é apenas um time, mas o sentido das nossas vidas. Por ele vibramos, sorrimos, pulamos, gritamos, abraçamos pessoas desconhecidas, choramos, cantamos, nos tornamos loucos por alguns instantes... Por ele misturamos todos sentidos e emoções, até que tudo se resuma ao nosso tão simples e tão complexo amor pela estrela solitária.

Ainda que digam que todo torcedor é igual, sabemos que nós, botafoguenses, somos diferentes de todos os outros.

''Todos os torcedores de futebol se parecem entre si como soldadinhos de chumbo. Têm o mesmo comportamento e xingam, com a mesma exuberância e os mesmos nomes feios, o juiz, os bandeirinhas, os adversários e os jogadores do próprio time. Há, porém, um torcedor, entre tantos, entre todos, que não se parece com ninguém e que apresenta uma forte, crespa e irresistível personalidade. Ponham uma barba postiça num torcedor do Botafogo, dêem-lhe óculos escuros, raspem-lhe as impressões digitais e, ainda assim, ele será inconfundível.'' (Nelson Rodrigues)

Parabéns, Botafogo! Se este blog existe, é porque você nos inspira.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Rafael Marques tem 13 letras

Ontem, ouvimos a flapress dizer que não vencíamos os molambos há 13 anos em campeonatos brasileiros. Claro, sempre tem que existir um tabu a favor deles.

Mas desconfio ter sido um botafoguense supersticioso o responsável por marcar a data dessa partida: 13 de outubro de 2013. Ou um molambo que não entende que, no Botafogo, alguns números são mágicos. É bom não se atrever a mexer com eles.

Alem de ter feito o gol da virada, Rafael Marques salvou um gol em cima da linha e foi peça fundamental, ao lado de Seedorf, que parece ter voltado a ser o craque que todos conhecemos.

O suposto tabu mudou de lado depois da virada de ontem. Agora são os molambos que não vencem ha 3 anos! Mas isso não vai passar no globo esporte.

Os profetas do passado, como de costume, voltaram atras e já nos consideram "vivíssimos" na briga pelo titulo. E pensar que, há duas rodadas, diziam que tínhamos um time limitado e morto na competição...

É... "O gigante acordou!"

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Profetas do passado

Ha cinco rodadas, todos acreditavam que eramos um dos melhores times do campeonato.
Sempre disseram que não tínhamos elenco, como bem me lembro, porem o que se discutia nas mesas de programas de futebol era a capacidade de inovação do nosso técnico, que conseguia reinventar um bom time em uma situação de muitos desfalques.
Oswaldo era a revelação do campeonato e o Botafogo era "o time do ano".
Todos acreditavam no nosso potencial.

Se, naquele momento, alguém se atrevesse a dizer que não merecíamos nossa classificação no campeonato, essa pessoa seria apedrejada, apesar do notável ódio que a mídia sente por nos.
Isso mostra o quanto estávamos bem na fita.
A Globo ficou quieta e teve de engolir o nosso futebol de dar inveja. 

Chegou-se a ouvir que Hyuri era uma reincarnação de Garrincha. 
Nesses tempos, ate mesmo o cachorro que mordeu a perna do Kio poderia ser caracterizado como nada menos que a materialização do espirito de Biriba. Acreditem, não seria exagero.

Hoje, depois de cinco jogos sem vitoria e de um futebol que causa sonolência mesmo aos mais fanáticos, a verdade se tornou obvia: Somos uma tragedia. Tivemos sorte de permanecer tanto tempo nas primeiras colocações. O rebaixamento nos cairia bem.
O que se diz por ai, cinco rodadas depois, e que o time do Botafogo e simplesmente ridículo. 

Depois de 21 rodadas (se não for mistico, não e o Botafogo) jogando o melhor futebol do ano, as ultimas cinco nos rebaixam a categoria de time desprezível. Ou seja, os 20% dos jogos que disputamos serviram para provar que os outros 80% foram mera questão de sorte, dada nossa enorme falta de capacidade.

Agora querem dizer que, na verdade, o Botafogo sempre foi um time ruim? Perdoem-me, mas assim e fácil ser comentarista de futebol.

P.S.: Se conseguirmos a vaga na Libertadores, dirão por ai que somos um dos favoritos ao titulo da competição no ano que vem.

domingo, 6 de outubro de 2013

O Glorioso?

Todos os dias tento, em vão, encontrar um sentido para o que está acontecendo. 

Ao contrário dos outros times, parece que aqui todos os jogadores entram em má fase ao mesmo tempo. 

Juro que jamais acreditarei novamente no Botafogo, mesmo que tenhamos o melhor time de nossa história. Depois de tantos traumas, só a taça me convencerá de algo parecido. 

O Botafogo tem se esquecido completamente de quem ele é. Depois de tantas glórias e de tantos craques, depois de termos sido a base da seleção brasileira, somos o time amarelão da década. Negamos nosso passado. Queiram ou não, somos um novo Botafogo, e é esse Botafogo que nossos filhos vão conhecer...

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Todos conhecem o fim da história

Este ano, muitos pensaram que tudo seria diferente. O time parecia unido rumo ao título, e toda a atmosfera perdedora que vimos nos últimos anos parecia ter dado lugar a um time focado, que não se abalava por nada. Liderados por Oswaldo de Oliveira e Seedorf, seguimos firmes na briga pelo título, apesar da interdição do Engenhão, dos salários atrasados e das saídas de importantes jogadores, como Fellype Gabriel e Vitinho.

Vacilamos em alguns jogos, o que é normal, mas terminamos o primeiro turno quatro pontos atrás do Cruzeiro e pelo menos oito à frente do primeiro fora do G-4. Vencemos quatro jogos seguidos antes da "final" contra o líder, que poderia diminuir a diferença para apenas um ponto. 
O 3x0, como já disse aqui, foi um placar meramente circunstancial, que de forma alguma refletiu o jogo.
Porém, depois desse resultado, creio que tenhamos entrado na tal espiral descendente que já citei em outro post, da qual sabemos o quanto é difícil sair.

É certo que nos últimos três jogos fomos prejudicados por erros de arbitragem. Dois pênaltis inexistentes foram marcados contra nós e um gol impedido foi validado. Porém, no primeiro turno, quando tínhamos cara de time campeão brasileiro, também fomos prejudicados em alguns jogos. 
Não lembra? É porque esses "erros" da arbitragem não fizeram diferença. Vencíamos de qualquer jeito... Diante de um erro, incorporávamos o espírito do "time que se recusa a entrar em crise" e partíamos com tudo pra cima. Mais cedo ou mais tarde, o gol chegava. 

A nossa postura mudou.

Não sei o que aconteceu ou se essa é só mais uma dessas coisas inexplicáveis que acontecem com o Botafogo. Mas, sem dúvida alguma, não somos mais o mesmo time do início do campeonato. Até mesmo Seedorf não está jogando mais nada... Estamos amarelando de novo, como nos outros anos: "o time que se recusa a entrar em crise" se acomodou.
Amarelamos, somos o cavalo paraguaio do momento e, sim, teremos de abaixar a cabeça outra vez e ouvir as piadas dos rivais.
"Ah, mas os molambos estão lá embaixo... Eles não podem nos sacanear, estamos em terceiro".
Eu pergunto: até quanto? Algumas rodadas atrás, estávamos a cinco pontos de distância do terceiro colocado. Hoje, já perdemos a segunda posição. Até quando??

Perder para o Bahia e para a Ponte Preta em casa é inadmissível. 
Porém, mais inadmissível do que isso é perceber que estamos vivendo tudo de novo. A história se repete, mais uma vez, ano após ano: o "time do ano",  favorito ao título, termina o campeonato no G-9.
Como escreveu o Gustavo em seu post, se isso acontecer mais uma vez venderemos todos os jogadores do melhor time que conseguimos montar em muitos anos. Teremos sorte se nos classificarmos para a sul-americana em 2014.

P.S.: Não queria admitir que Vitinho faz tanta falta... Mas a verdade é que, apesar das quatro vitórias seguidas desde que o garoto foi embora, uma análise mais profunda revelará que a história é contada pelos vencedores. Ganhamos do Santos na raça ou sofremos até o fim com a pressão e a possibilidade de levar o empate? E se Garrincha não tivesse descido à Terra para inspirar aquele gol de Hyuri no fim do jogo contra o Corinthians? E a vitória por 3x1 sobre a Portuguesa, revela quantos botafoguenses dormiram no primeiro tempo?

Tudo bem, o título já era. Mas, se ficarmos sem a Libertadores, seremos zoados por décadas. 
Estamos praticamente em crise... Uma crise que não se originou de nenhum dos grandes problemas citados no início do post, mas simplesmente do nada.
Ao elenco atual, cabe agora não repetir a mesma história dos outros anos. 8 derrotas em 9 jogos? Por favor, tenham pena de nós.