segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Uma estrela brilhará


Essa foto foi tirada ontem, no topo da Pedra da Gávea, duas horas antes do início da partida contra o Fluminense.

A pessoa que está segurando nossa sagrada bandeira sou eu, mas poderia ser qualquer outro botafoguense - e exatamente por isso resolvi tirar a foto de costas.


Quero que você, torcedor do Botafogo, consiga, ao menos neste momento, enxergar as coisas sob essa perspectiva. 
Imagine-se segurando essa bandeira no topo da Pedra da Gávea, admirando o visual da cidade mais linda do mundo. 

Acima de tudo e de todos.

Só você e seu eterno amor pelo Botafogo.

Mentalize. Ontem eu mentalizei e nossos reservas venceram por 3 a 0 o time titular do Fluminense, placar merecidíssimo.


Só o que estou pedindo, no fim das contas, é para você acreditar no Botafogo. Deixe toda a raiva, o medo, as angústias e os traumas anteriores e focalize no hoje e no agora.


Estamos na Libertadores, finalmente. Sonhe, acredite, apoie incondicionalmente!

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Recordar é viver - o Glorioso Campeonato Carioca de 1910

Poucos alvinegros sabem o momento exato em que o Botafogo recebeu o apelido de "Glorioso".

Pois bem, foi no ano de 1910, durante o Campeonato Carioca. Com uma campanha espetacular, o Botafogo Football Club - que, 32 anos depois, fundiu-se com o Clube de Regatas Botafogo e deu origem a nosso querido Botafogo de Futebol e Regatas (para mais detalhes, ver meu post de julho do ano passado: http://realfogo.blogspot.com.br/2013/07/recordar-e-viver-fusao-de-1942.html) - sagrou-se campeão com uma rodada de antecipação, um ano depois de aplicar a maior goleada da história do futebol brasileiro.

24 a 0 sobre o Mangueira, Campeonato Carioca de 1909, no estádio da Voluntários da Pátria.

Infelizmente, o Botafogo estreou no Carioca de 1910 com uma derrota de 4x1 para o América. Depois disso, no entanto, o Glorioso não perdeu mais nenhum jogo, vencendo treze e empatando apenas dois. 
Nossa sequencia de vitórias incontestáveis em 1910 inspirou Lamartine Babo que, ao compor nosso hino, pôs o verso "não podes perder, perder para ninguém".

E quantas goleadas!

15 a 1 sobre o Riachuelo, 11 a 0 sobre o Haddock Lobo, 7 a 0 sobre o Rio Cricket e 6 a 1 sobre o Fluminense foram apenas algumas delas. 

O prestígio foi tanto que, nesse período, grande parte das cartas que chegavam à administração do clube iniciavam-se da seguinte forma: "Ao Glorioso Botafogo F.C.". 
Foi nesse período que surgiu esse apelido que, frequentemente escrito em cima do nosso escudo, parece fazer nossa estrela solitária brilhar ainda mais.

Segundo a revista Ilustração Esportiva: "O Glorioso clube alvinegro apresentou-se com uma formidável equipe em que não havia falhas, quer na defesa, quer no ataque."

De uma coisa tenho certeza: de tantos times no mundo, pouquíssimos poderiam ser apelidados de "Glorioso". Não sei se por sorte ou por destino, mas o Botafogo conseguiu fazer jus a esse belo apelido, criando craques que entraram para a história do futebol mundial, sendo o clube que mais cedeu jogadores à seleção no século XX e construindo uma das mais belas histórias que um clube de futebol pode ter.

Podem ter certeza de que nenhum clube no mundo teve tantos craques e tantas histórias como o Glorioso Botafogo - que, já em 1910, mostrava ao mundo sua grandeza e tradição no futebol.

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Cadê o dinheiro?

Ano passado, antes mesmo de o Campeonato Brasileiro chegar à sua metade, perdemos jogadores importantes como Vitinho, Fellype Gabriel e Andrezinho. 
Nenhum reforço à altura foi contratado para suas funções e, por sorte, conseguimos uma vaga na Libertadores jogando com um time que, em muitas partidas, chegou a ser mais do que 50% composto por jogadores inexperientes da base, os quais mostravam-se frequentemente nervosos e afobados em campo.

No final do ano passado e no início deste ano, apesar da vaga conquistada na Libertadores, competição que não disputávamos havia exatos 18 anos, saíram por nossa porta Oswaldo de Oliveira, Seedorf, Rafael Marques, Bruno Mendes, Lucas Zen, Gilberto e Elias.
Só em nosso ex-treinador, a economia foi de 400 mil reais por mês de salário, já que Húngaro ganha apenas 50 mil contra os 450 mil que Oswaldo recebia.
Além disso, as vendas de Seedorf e Rafael Marques representaram, só em termos de salário, uma economia de quase um milhão de reais (700 mil do primeiro e 220 mil do segundo).
A saída de Elias para um clube chinês provavelmente rendeu também muito dinheiro ao clube. Não achei em nenhum lugar o valor pelo qual o atacante foi vendido, mas acredito que apenas uma oferta milionária poderia tirá-lo daqui no início de uma Libertadores, tendo ele acabado de renovar seu contrato com o clube.

Se somarmos todo esse dinheiro economizado nos salários mais o da compra dos jogadores e adicionarmos ainda a quantia recebida pela Guaraviton e pela Telexfree, a conta vai dar bastante alta. Principalmente porque, com seus nomes expostos em uma competição de nível internacional, ambas as marcas tendem a aumentar o valor de seu patrocínio.

O que percebo, no entanto, é que todo esse dinheiro não tem sido usado na compra de reforços realmente significativos, mas em meras apostas. 
Trata-se de comprar jogadores mais baratos, que ficaram muito tempo esquecidos fora do Brasil, mas já fizeram sucesso algum dia em um time brasileiro. É o exemplo do Wallyson. Por enquanto, essa é uma aposta que tem dado certo, mas não podemos negar o risco que corremos ao construir um elenco para a Libertadores baseado unicamente em apostas.
Jorge Wagner também é uma aposta, porque não sabíamos se a idade o permitiria jogar um bom futebol.
Os estrangeiros, por outro lado, têm sido apostas interessantes. Bollati, Ferreyra e agora Zeballos são jogadores não muito caros, mas também não inexperientes, que podem ser muito úteis em uma competição como Libertadores.

Porém, a questão principal é que nosso elenco continua fraco. Conseguimos, por sorte, montar um bom time para jogar a Libertadores. Mas a verdade é que não temos jogadores substitutos à altura; nosso time B é muito fraco. 
Nesse sentido, fica o questionamento sobre a venda de tantos jogadores. Mesmo com a chegada de Zeballos, Elias não seria ainda um ótimo banco? Ou será que essa diretoria não percebe que na Libertadores também se leva cartão amarelo, suspensão ou um chute na canela?

Além de não termos contratado nenhum reforço significativo, tenho sempre a sensação de estar saindo mais gente do que entra, em um momento em que deveria acontecer exatamente o oposto. 
A pergunta que não me sai da cabeça é simples: para onde foi todo esse dinheiro?

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

O gigante voltou - e não está de brincadeira!

No início do jogo contra o Deportivo Quito, o excesso de chutões e a visível falta de entrosamento dos jogadores me fizeram pensar que, mesmo que o Botafogo conseguisse a vaga na Libertadores, estaria em um nível muito abaixo da maior parte dos times que disputam esse campeonato em 2014.
A goleada por 4x0 pouco significou diante de um adversário tão fraco, que sequer chegava ao nível dos últimos lanternas que disputaram a série A do Campeonato Brasileiro.

Ontem foi diferente.
Jogamos melhor, apesar de o San Lorenzo ser bastante superior ao Deportivo Quito. Não significa, no entanto, que seja um Barcelona. E, se foi campeão argentino, pode-se constatar que essa Libertadores não deve ter muitos times realmente bons, além dos brasileiros.

Mais do que entrosado - com uma longa troca de passes que resultou em "olé" no fim da partida -, o Botafogo entrou nessa Libertadores com um espírito diferente do que estamos acostumados a ver. 
Longe do visível complexo de inferioridade que marcou jogos traumáticos, como nossa vexatória eliminação da Copa do Brasil no ano passado, entramos na Libertadores 2014 com a cabeça erguida e dispostos a dar a vida por esse título.

Unidos! 

A torcida, nos dois jogos, certamente fez nossos adversários enxergaram o novo Maracanã como um grande caldeirão à altura da Bombonera. 
Muitas vezes, não basta a torcida estar presente. Mas é inegável que 32 mil pessoas cantando, pulando e fazendo festa durante 90 minutos podem desestabilizar qualquer adversário.

O time e a torcida nunca estiveram tão unidos.
E talvez ainda estivessem em guerra se Seedorf não tivesse se mandado para o Milan, já que muitas vezes, ao invés de se unir a nós, ele nos criticou. 

Mas vamos falar do que realmente importa...

O Botafogo parece ter entendido o espírito da Libertadores, apesar dos 18 anos de ausência. 
O que vi, principalmente ontem, foi um time jogando com raça, vontade e esperteza. Todos estão de parabéns, com destaque para Edílson, Bolívar e Wallyson. 
Sou totalmente a favor da formação de Húngaro, com Tanque e Wallyson no ataque. Enquanto um engana, o outro se aproxima perigosamente, como bem ressaltou nosso treinador.

O Botafogo jogou em clima de guerra, como deve ser tratado qualquer jogo da Libertadores, e soube fazer catimba no fim e aproveitar os espaços deixados pelo San Lorenzo.

Conseguimos mostrar a todos que o gigante voltou e não está de brincadeira.
A classificação para as oitavas está encaminhada e, se continuarmos assim, teremos grande chance de chegar muito longe nessa Libertadores.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

O jogo da libertação

Com mais de 50 mil ingressos vendidos, a nossa torcida fará hoje uma das maiores festas deste século, para ninguém botar defeito.

Nenhum resultado negativo poderá ser atribuído à nossa ausência.

Dada a limitação e a falta de entrosamento do elenco, tal como ficou claro no lento e sonolento jogo de quarta-feira passada, não é impossível que vivenciemos hoje um dos maiores vexames da nossa história. 
Mesmo com 2 a 0 de vantagem, teremos de sofrer até o fim para não levarmos um gol. Só uma goleada nos deixa tranquilos. Mas sabemos que, se não for sofrido, não é o Botafogo.

Espero que o time entre em campo com uma mentalidade vitoriosa e demonstre ao menos um grande empenho em golear nosso fraquíssimo adversário.

Com tantas saídas sem reposições à altura, o esforço terá de ser maior. Mas entendo o jogo de hoje como um exercício de crescimento, entrosamento e fortalecimento do nosso time.

Jogar bem hoje é fundamental.

Estou saindo de casa. Que as estrelas nos mostrem o caminho certo!

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Boicotem o estadual - e apóiem a Libertadores!

Confesso que não assisti a nenhum jogo do Campeonato Carioca até agora.
É claro que, com a proximidade da estréia na Libertadores, ninguém está muito preocupado com o estadual. Mas, no meu caso, não é apenas isso.
Na verdade, estou torcendo contra o Botafogo no Carioca pelo simples fato de que não engulo nosso presidente dizendo que a torcida não tem do que reclamar, afinal o Botafogo foi para 4 finais estaduais em 5 anos(!!!).
Se o Botafogo não ganhar a Libertadores, saibam que é essa desculpa que ele usará. Ciente disso, eu simplesmente torço para que sequer cheguemos à final do estadual. Assim, caso passemos por um vexame na Libertadores, ninguém poderá alegar que "pelo menos estamos na final do estadual de novo, enquanto no meu tempo o Botafogo ficou 21 anos sem ganhar um titulo."

Estou muito apreensiva para amanhã. Não estou muito confiante no time, principalmente pelo fato de os jogadores terem tido apenas um dia para se acostumarem com a altitude de Quito. Por que não viajaram antes?

É óbvio que o caminho que se escolheu foi o desmonte do elenco, assim como na Libertadores de 1996. Esse é mais um motivo de apreensão, já que talvez sejamos surpreendidos com uma falta de entrosamento entre os jogadores, alguns dos quais veremos entrar em campo pela primeira vez amanhã.

Mas, apesar de tudo, acredito que este não é o momento de criticar, e sim de apoiar incondicionalmente. E é isso que a torcida tem feito, comprando pacotes de viagem para Quito, esgotando os setores norte e sul do Maracanã mesmo antes do primeiro jogo, ajudando a pagar a divida do clube, virando sócio torcedor de ultima hora.
Neste momento, ninguém pode reclamar da nossa torcida.

Respirem fundo! Amanhã, às 22h, estaremos de volta à Libertadores depois de 18 anos de espera.

domingo, 19 de janeiro de 2014

Lágrimas de crocodilo

Seedorf nos deixou.

Sinceramente, não acredito nas lágrimas que derramou em sua "despedida" - e assim escrevo, entre aspas, porque ele próprio se recusou a dizer adeus ao nosso clube de uma forma decente.

Digo isso porque, muito provavelmente, Seedorf já tinha decidido ser técnico do Milan em 2014 há muito tempo, e só não o fez antes porque não podia simplesmente romper o contrato com o Botafogo. Na verdade, duvido muito que ele não estivesse desesperado para sair daqui, onde foi vaiado e incompreendido pela mal agradecida torcida alvinegra. Em seus pensamentos, um craque como ele jamais poderia ter sido tão humilhado.

Mas é claro que ele tinha que chorar para mostrar ao mundo o jogador sensível e humilde que é - mas que nós, botafoguenses, sabemos que não é. 
Esse jogador sensível veio ao Brasil para ser maltratado, muito embora tenha nos dado muitas e importantes lições de vida e de moral, como amarelar em jogos decisivos, agredir um companheiro recém chegado da base na frente do país inteiro e não assumir suas próprias culpas, jogando-as sempre na torcida, que jamais comparecia ao estádio.

O impacto de sua saída sobre a minha alma botafoguense foi simplesmente nulo.

Sei que é - ou foi? - um grande craque do futebol mundial, mas certamente não nasceu para jogar no Botafogo. Não houve química ou paixão. Daqui a uma década, sua passagem será comentada da seguinte forma: "Caramba, lembra que o Seedorf jogou no Fogão por um ano e meio?". E só.

A explicação para isso está no fato de que o Botafogo não é apenas um grande clube, com uma linda história, onde jogaram alguns dos maiores craques do futebol mundial; o Botafogo é um lugar místico e cheio de superstições, no qual não basta ser um bom jogador para se destacar no meio da multidão. Ser ídolo, em General Severiano, é algo que não necessariamente apresenta uma correlação positiva com o fato de ser ídolo em qualquer outro lugar do mundo, ou mesmo no mundo inteiro.
Seedorf foi incapaz de compreender isso pelo simples fato de jamais ter realmente respirado o ar de General Severiano.

O que mais me indignou foi o fato de ele ter nos enrolado tanto tempo antes de comunicar sua decisão. O que se sabia era de seu pedido de mais um tempo de férias. 
E, então, subitamente, adivinhem? Seedorf vai sair. Ninguém acredita que ele decidiu isso do dia para a noite, correto? Então, é óbvio que ele simplesmente ignorou o fato de estarmos montando um time para a Libertadores e decidiu comunicar a todos na hora que julgasse mais adequada. E, é claro, dane-se o Botafogo.

Sei que foi realmente um adeus pois, apesar do discurso emocionado, ele nunca mais vai procurar saber nada sobre o nosso clube.

Então, que assim seja. Adeus, Seedorf.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Patrocínio duvidoso

Depois de fecharmos um patrocínio com uma empresa que foi expulsa do Brasil pela realização de práticas ilegais, a notícia boa é a chegada de El Tanque, um atacante de 1,91m. Será um novo Loco Abreu, porém mais jovem? Parece uma boa opção para a Libertadores, apesar de ter escorregado na final do ano passado na hora de fazer o gol.

É difícil enxergar o patrocínio da Telexfree como algo positivo, ainda mais quando levamos em conta que o acordo foi assinado em Miami justamente porque a empresa é ilegal no Brasil. Na minha opinião, essa é apenas mais uma evidência de que a gestão de Mauricio Assumpção não é das mais limpas.

Mas, como a besteira já está feita, vejamos como podemos aproveitá-la. Pelo visto, agora teremos dinheiro. Só nos resta saber se ele será usado para a contratação de mais reforços para a Libertadores ou para financiar a campanha política do dentista.

Em relação a Seedorf, não sei se é verdade a história de que ele está indo para o Milan. Mas, se for verdade, que vá logo.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Por um 2014 Glorioso

Primeiramente, feliz ano novo a todos!

Em 2013, tivemos a alegria de ver nosso Botafogo se classificar para a Libertadores após uma ausência de 18 anos. Esperamos que, em 2014, consigamos algum título de peso!

Mas, como sempre, não estou muito otimista. Preocupa-me a pouca quantidade de reforços já acertados para a Libertadores, bem como as possíveis saídas de alguns jogadores. Não contratamos ninguém de peso até agora e até mesmo nosso novo técnico parece não ter muita experiência.

Sobre Jorge Wagner, acredito que, aos 35 anos, esteja um pouco velho para jogar uma Libertadores. Talvez dê certo, mas é provável que acabe se cansando e não tenha "pique" suficiente. Outra preocupação é em relação a Seedorf que, se ficar, não poderá jogar jamais ao lado de Jorge Wagner, ou teremos um time lento e ancião. 

Em relação a Bolatti, creio que foi uma boa contratação. É um jogador jovem e experiente que poderá fazer uma boa dupla com o jovem Gabriel. Além disso, é argentino, uma característica importante quando se joga um campeonato cheio de artimanhas como a Libertadores.

Mas o fato é que precisamos de um centroavante. Atacantes, não temos quase nenhum. Se a saída de Elias se confirmar, a situação ficará negra. 
Aliás, ninguém além de Seedorf e Renato pode sair.

O Botafogo está fazendo uma economia enorme em salários e contratações, e sempre pensei que isso se devesse ao fechamento do Engenhão. Agora, com acusações sobre Maurício Assumpção de roubo do dinheiro do clube para financiar campanhas políticas, tudo ficou mais claro. 
Talvez ele esteja mais interessado em se eleger do que em montar um bom elenco para a Libertadores...

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

A diferença entre Seedorf e Loco Abreu

Se perguntassem a cem torcedores do Botafogo se Loco Abreu pode ser considerado um ídolo, 90 deles diriam que sim. Mas, se fosse perguntado a esses mesmos torcedores se Seedorf pode ser considerado um ídolo, a maior parte responderia: "É um craque do futebol mundial, mas não é ídolo do Botafogo".

Loco Abreu ficou pouco mais de dois anos no Botafogo. Ganhou um campeonato estadual com a inesquecível "cavadinha".
Seedorf está há um ano e meio no Botafogo. Ganhou um campeonato estadual indiscutível e conseguiu se classificar para a Libertadores.

Então por que Loco Abreu é um ídolo do torcedor alvinegro, e Seedorf não?

Muitas vezes, o que faz de um jogador um ídolo não são as conquistas, nem a importância tática, nem as jogadas mirabolantes, nem mesmo a permanência no clube.
O que faz de um jogador um ídolo é algo que foge de conceitos do futebol e se transporta para um campo abstrato, quase espiritual: sua identificação com o clube.

Em 2002, fomos rebaixados para a série B. Em 2007, 2008 e 2009, perdemos a final do carioca para os molambos. Foram tempos difíceis.

Mas, em 2010, Loco Abreu chegou empenhado a evitar que a molambada igualasse nosso tetracampeonato carioca da década de 1930. Com a inesquecível "cavadinha", calou a boca de todos que não acreditaram no Botafogo e deu esperanças a toda uma geração desacreditada e pessimista.

Ele nos defendeu. Ele amou o Botafogo e nunca, jamais, abaixou a cabeça para os nossos rivais. Acredito que Loco Abreu foi um dos jogadores mais temidos não só pelas torcidas adversárias, mas também pela flapress e pela mídia de uma forma geral. Ele era respeitado e isso fazia com que nós fossemos respeitados.

Durante o tempo que permaneceu no Botafogo, El Loco conquistou a simpatia e admiração de todos. Foi extremamente importante para o time e fez muitos gols. Tinha a vantagem de ser o jogador mais alto de todos os clubes cariocas, de modo que era extremamente difícil marcá-lo.

Quando ganhou a Copa América, comemorou com a bandeira do nosso clube e, assim, fez com que todos entendessem o que é o Botafogo. Quando chegou à semifinal da última Copa do Mundo, dedicou a vitória à torcida do Botafogo. Loco Abreu conhecia nossa história e nossos ídolos, como demonstrou em diversas entrevistas. Ele, sim, era um jogador que entendia o quão sagrada era a missão de vestir a camisa que já foi de Nilton Santos, Garrincha e tantos outros.

Sua transferência para o Figueirense encerrou uma era para o Botafogo, mas não o afastou do clube que ele passou a amar. Seu vídeo de despedida (um carinho que poucos têm) quase me fez chorar.
No Figueira, novamente nos defendeu, ao beijar nosso escudo diante da torcida molamba. E ainda agora, no Rosario Central, continua torcendo, acompanhando e vestindo camisas do clube que o reconheceu como ídolo. Quem sabe um dia ele volta...

Agora vamos falar de Seedorf, um craque a nível mundial.

Quando chegou ao Botafogo, jogou muito. Fez muitos gols e jogadas decisivas. Mas há de se convir que, em momento algum, mostrou tamanha conexão espiritual com nosso clube. Para ele, o Botafogo parece ser apenas mais um entre tantos clubes pelos quais já passou. Provavelmente não conhece nossa história e não acompanhará nossos passos quando for treinador do Milan.

Seedorf nunca nos defendeu. Muito pelo contrário, por diversas vezes criticou nossa torcida e chegou a jogar nela a culpa que deveria assumir ao lado dos outros jogadores. Nos momentos decisivos, o que vimos não foi uma mágica "cavadinha", mas amareladas sem tamanho. Ele não foi líder como Loco Abreu, pois sua liderança desapareceu em campo todas as vezes em que precisamos do seu bom futebol.

Lembro-me de uma vez em que Seedorf deu entrevista com a camisa do Fluminense, após o jogo com o tricolor. Na minha opinião, não é uma atitude inteiramente condenável, mas hoje vejo nesse momento o motivo pelo qual ele nunca será como Loco Abreu: Seedorf nunca vestiu verdadeiramente a nossa camisa. O Botafogo é uma passagem, um clube do Rio de Janeiro onde ele resolveu bater uma bolinha enquanto passa férias no Leblon. Tenho certeza de que Loco jamais vestiria a camisa de qualquer outro clube para dar entrevista a repórteres da globo ou da sportv.

Felizmente, tive a chance de tirar uma foto com Loco Abreu. Com Seedorf é bem mais difícil, tamanha é a proteção em volta dele. Nenhum torcedor consegue se aproximar.

É claro que cada um tem sua opinião e, sabendo disso, vim aqui expor a minha. 

Seedorf pode ser um craque, um dos maiores jogadores da seleção holandesa e ter milhões de troféus em casa. Isso faz com que ele mereça o respeito de todos nós, mas não faz com que possa ser considerado um ídolo do Botafogo. Definitivamente, a relação entre Botafogo e Seedorf não demonstrou muita química até o presente momento. Já Loco Abreu conquistou um lugar no muro de General Severiano e ficará, sim, marcado em nossa história, não pelos títulos que conquistou, mas por ter nos defendido com unhas e dentes, bem como por ter entendido e respeitado a história e o tamanho do Botafogo.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Sobre nosso novo treinador

Ainda não fiz nenhum comentário sobre nosso novo treinador, Eduardo Húngaro.

O que penso sobre isso é que parece uma aposta altamente arriscada, tendo em vista que estamos disputando a Libertadores depois de uma ausência de 18 anos. Sim, na minha humilde opinião precisávamos de um técnico com maior experiência - embora acredite que Autuori, por exemplo, seria uma grande furada.

É claro que essa aposta foi uma grande imitação dos molambos, que, após promoverem o interino, ganharam a Copa do Brasil. 

Mas, ainda que tenha dado certo para eles, e ainda que Húngaro conheça cada jogador do elenco, há de se convir que, assim como toda aposta, existe uma chance de dar certo e outra de dar errado. 

Pelo menos economizaremos 350 mil de salário, valor que espero que seja usado para contratar um reforço à altura do campeonato que disputaremos em 2014 .Um ataque com Elias e Rafael Marques, embora não seja exatamente horrível, não tem muitas chances de chegar longe na Libertadores.

O que nos resta agora é apoiar e torcer muito! Sejamos otimistas uma vez: vai dar tudo certo!

sábado, 14 de dezembro de 2013

Libertadores, lá vamos nós!

Agora é hora de comemorar.

Depois de 18 anos, conseguimos nos classificar para a primeira fase da Libertadores e vamos enfrentar o Deportivo Quito. Marquem em seus calendarios o dia 5 de fevereiro. Vamos lotar o Maracanã!

Foi a melhor classificação do Botafogo em campeonatos brasileiros desde 1995.

Mas ainda é pouco. 

Em 2013, poderíamos ter lutado pelo titulo, não fossem as saídas de jogadores importantes e nossa inexplicável queda de rendimento no segundo turno. Desde que levamos 3x0 do Cruzeiro, tivemos campanha de time que luta para nao cair.

A classificação poderia ter vindo muito antes - e poderíamos ter entrado direto na fase de grupos -, mas tivemos que esperar mais três dias depois do fim do Brasileirão para confirmar presença.

Antes de a ultima rodada começar, o Botafogo precisava de uma combinação de três resultados para ir à  Libertadores:
- Uma vitória sobre o Criciúma no Maracanã
- O Goiás nao vencer seu jogo em casa
- A Ponte Preta não ser campeã da Copa Sul-Americana

Eu, com todo meu otimismo, achei que nenhum dos três resultados aconteceria. E, mesmo para os menos pessimistas, a probabilidade de tudo isso ocorrer ao mesmo tempo parecia mínima. 

Mas aconteceu. Estamos na Libertadores!!

Isso nao muda minha opinião sobre alguns jogadores. Afinal, nao precisávamos ter que depender de tantos resultados. 
Mas dizem por aí que, se não for sofrido, não é Botafogo. Sim, é verdade...
Ainda assim, podemos dizer que só vamos à Libertadores porque o Goiás conseguiu ser mais Botafogo do que o próprio Botafogo e, dependendo apenas de si mesmo, perdeu em casa por 3 a 0. 
A decisão de nao mostrar os placares no estádio se mostrou acertada. Isso porque, se o time soubesse que dependia somente dele mesmo para entrar no G4, provavelmente teria amarelado mais uma vez.

Mas, neste exato momento, a verdade é que nada disso tem relevância. Libertadores, lá vamos nós!

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Uma pequena homenagem a um grande homem

2013.

No ano em que perdemos Nilton Santos o mundo perdeu Nelson Mandela.

O preto e o branco sao iguais.

Sao as nossas cores.

Obrigado Nelson Mandela.


mandela

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Respeitem nossa história

No dia em que os jogadores entraram em campo de luto pela morte de Nilton Santos, o Botafogo deu mais um vexame. Perdemos para o Coritiba, em um jogo no qual dependíamos só de uma vitória para entrar no G4.

Se pararmos para pensar, perdemos todos os jogos decisivos do ano.
Depois daquele 3x0 contra o Cruzeiro, fizemos 15 pontos em 15 rodadas, uma campanha de time rebaixado.
Fomos humilhados na Copa do Brasil pelos nossos maiores rivais.
Chegamos a abrir 10 pontos de distância para o primeiro time fora do G4 e, por mais incrível que pareça, conseguimos cair para a quinta colocação.
Não voltamos porque, novamente, amarelamos nos jogos decisivos. Na nossa chance de virada contra o São Paulo na última rodada, Seedorf errou o passe e a finalização após devolução de Lodeiro.
Ontem, contra o Coxa, custei a acreditar que jogadores tão medíocres possam vestir a camisa que já foi usada por Nilton Santos.

Na semana em que fiquei refletindo acerca do que a morte de um dos maiores craques da história futebol representa, percebi que o problema não está apenas nos jogadores. O Botafogo precisa de uma mudança drástica, praticamente uma revolução.
Nilton Santos fez muito pelo Botafogo, mas o que o Botafogo fez por Nilton Santos? Não me refiro a tratamentos de saúde, mas a títulos e alegrias. O que nosso maior ídolo pôde comemorar nos seus últimos anos de vida? Infelizmente, nada. Uma de suas últimas lembranças, antes de se lançar em uma grande luta contra o mal de Alzheimer, provavelmente foi o rebaixamento para a série B.

A culpa não é apenas dos jogadores. Um clube nunca vai muito longe enquanto o presidente acreditar que lutar pelo G4 é fazer uma boa campanha. Presidente este que sequer foi capaz de cancelar sua viagem no dia da morte do nosso ídolo.

Por mim, podem todos ir embora, com exceção de alguns poucos jogadores.

Ontem, antes do jogo, perguntei ao Kio: "E se Nilton Santos tivesse morrido no dia em que fomos eliminados da Copa do Brasil, horas antes do jogo, será que teria sido diferente?".
Hoje, minha resposta é não.
A verdade é que esses jogadores não estão nem aí para o Botafogo, muito menos para Nilton Santos.
Quiseram as forças divinas que nosso maior craque nos deixasse em um dia em que não tinha jogo do Botafogo. Esses jogadores, essa diretoria... Ninguém parece ter o menor respeito à nossa história.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Um dia de luto para os amantes do verdadeiro futebol...

Posso dizer que uma das grandes paixões da minha vida é o futebol. 
Se não existisse esse esporte tão simples e tão belo, cheio de dramas e tragédias, de esperanças e milagres, provavelmente minha vida seria muito chata. 
Apesar de meus poucos 22 anos de vida, sempre procurei estudar e entender a história do Botafogo e da seleção brasileira.

Esse incrível jogador que nos deixou hoje, neste triste dia 27 de novembro de 2013, ficará marcado para sempre nessas duas belas histórias.
Uma das poucas coisas que lamento profundamente na minha vida é o fato de nunca ter visto Nilton Santos jogar.

Chorei muito. Tudo o que me restou, depois dessa trágica notícia, foi deitar em minha cama e ouvir o Glorioso hino do nosso time, enquanto penso em tudo o que esse jogador representou para o futebol, de um modo geral.
 Não apenas pelo fato de ter sido simplesmente o melhor lateral-esquerdo de todos os tempos e de ter revolucionado a própria definição de um lateral, nem mesmo por ter nos dado duas copas do mundo ou ter vestido apenas a nossa camisa, mas principalmente por ter amado verdadeiramente o Botafogo.

Os torcedores de hoje, não importa o time, tendem a dar pouco valor ao passado. Já ouvi muitos dizerem que "antigamente era fácil jogar futebol", que ninguém marcava, que não se faziam faltas. Nunca consegui enxergar isso como algo ruim, sendo bem verdade que sequer concordo com essas afirmações. O que sei é que antigamente se jogava um futebol bonito, algo totalmente diferente das frequentes peladas entre os retranqueiros times de hoje, que têm muita posse de bola (leia-se: um toca pra lá - toca pra cá extremamente chato no meio-de-campo) e pouca ofensividade. 

A diferença não está apenas no fato de que se jogava para frente, mas também na fácil constatação (por muitos ignorada) de que se jogava com amor. 

Em um tempo em que jogar futebol não fazia de ninguém um milionário, os jogadores tendiam a ficar muito tempo em seus times do coração, ou mesmo em times com os quais se identificavam profundamente. Mas todos sabemos que, em cada centímetro do corpo de Nilton Santos, corria um sangue alvinegro. E, desde a primeira vez em que esse craque vestiu a nossa camisa, o Botafogo nunca mais foi o mesmo.

Fico triste com a alienação futebolística de alguns seres que se dizem amantes desse maravilhoso esporte e sequer sabem quem foi Nilton Santos. Sim, eles existem. Estão por todos os lados, repetindo para quem quiser ouvir que o maior craque de todos os tempos foi Vágner Love. Para eles, o futebol começou na "era Dunga". Tudo o que veio antes, todos os craques cujos nomes eles nem querem saber, foi amador demais para ser levado em conta.

Digam o que quiserem, eu continuarei defendendo que o futebol era muito melhor nos velhos tempos.

Hoje, tudo o que um jogador tem de fazer para ser considerado um ídolo é ganhar um título. Ou dois. Mesmo que seja jogando mal. Fico triste ao constatar que Fred (nada contra, um bom centroavante para os dias de hoje) é considerado o maior ídolo da história do Fluminense, por exemplo. Um cara que só está no Fluminense por dinheiro. Que jamais jogará tanto futebol como se jogava antigamente. Mas que, dentro do burocrático estilo de jogo atual, é um ótimo jogador.

Eu poderia falar do Túlio também... Mas me entristeço toda vez que penso nele. Ele nos traiu, mas eu seria capaz de perdoá-lo. Entendo que, como todos os outros, ele não nasceu no tempo do amor à camisa, mas do amor ao dinheiro.

O que quero dizer é que não só o futebol era diferente (e muito mais interessante) antigamente, mas que os ídolos eram de verdade.
Na minha opinião, a "Enciclopédia" do futebol (apelido que não foi dado a Vagner Love, nem mesmo a Fred ou a outros queridinhos dos amantes do futebol atual) foi o maior ídolo que nosso Glorioso clube já teve. Um jogador que revolucionou não só o futebol, mas a história do Botafogo e da Seleção Brasileira. 

Alguém que todos podem, sem hesitação, chamar de craque. Os que não chamam não entendem nada de futebol.

Estou falando do futebol de verdade. 

Não tenho palavras para descrever o tamanho da minha tristeza no dia de hoje. Os botafoguenses e os verdadeiros amantes de futebol estão de luto. 
Sinto como se uma parte Gloriosa do Botafogo tivesse deixado de existir. Algo que ficou pra trás, mas que não queremos esquecer. Nem podemos.
Mas, se eu pudesse me despedir de Nilton Santos de alguma forma, diria apenas: Obrigada! Você sempre será o meu maior ídolo. 

E, assim, a "Enciclopédia" do futebol entra definitivamente para a enciclopédia do futebol. Para os que nascerem hoje, Nilton Santos já estará morto. Mas, ainda para os que nascerem daqui a um século, seu nome será pronunciado. Que assim seja.