domingo, 30 de março de 2014

A elitização do futebol

O que vim escrever aqui hoje é minha indignação com algo que não se trata especificamente do Botafogo, mas dos clubes carioca, de uma forma geral.

Sou do tempo em que existia a geral e, por diversas vezes, paguei apenas 10 reais (meia entrada) para entrar no antigo Maracanã e assistir ao jogo de um lugar que, hoje, não custaria menos do que 80. Lembro ainda que, em ocasiões especiais, estava disposta a pagar 25 reais (50 reais a inteira) para ter a melhor visão possível do campo, na antiga arquibancada branca.

Hoje, não se paga menos do que 30 reais (60 reais a inteira) para assistir à partida atrás dos gols, com uma péssima visão do jogo. Para quem não gosta de ficar atrás dos gols, o ingresso custará, em média, 100 reais. Aqueles que desejam ficar perto do banco de reservas, por sua vez, pagarão 180.

Sem contar o custo de transporte, é claro. E não falo do sujeito que mora em Copacabana, já que esse provavelmente pode pagar 60 reais por jogo e mais duas passagens de metrô.

Falo do trabalhador pobre que mora na baixada, sustenta a sua família com muito suor e é apaixonado por seu time do coração. Ou mesmo daquele que nem mora tão longe assim, mas ganha pouco mais do que o suficiente para pagar seu aluguel.

Aqueles torcedores de verdade, que gostariam de poder ir aos jogos todos os domingos. Mas que, para levarem seu filho, não gastarão menos do que 100 reais por partida (60 uma inteira + 30 uma meia + transporte).

Esse torcedor, infelizmente, está excluído do Maracanã. Apesar de ter sempre apoiado seu time nos bons e nos maus momentos e lembrar-se de tantos e tantos jogos em que esteve no Maracanã, hoje ele é obrigado a acompanhar seu time no botequim de sua rua. Até o sofá de casa se aposentou, uma vez que ele não tem dinheiro para pagar o PFC. O clássico de domingo resumiu-se à televisão de um bar.

É por isso que vemos públicos de 300 pessoas e arquibancadas vazias mesmo em jogos decisivos. O verdadeiro torcedor está juntando seu dinheiro para a Libertadores e não tem condições de gastar tanto para assistir a um jogo contra o Bangu.

O futebol, uma paixão do povo brasileiro, vem se tornando um esporte de elite. As partidas deixaram de ser a diversão do domingo e passaram a ser um espetáculo à altura de uma peça de teatro. E, assim como as peças de teatro não atraem 70 mil pessoas, o novo Maracanã só ficará lotado em finais de campeonatos importantes.

Todos os dias eu me pergunto: o que estão fazendo com o nosso Maracanã?

Para piorar, os clubes cariocas têm planos de sócio torcedor ridículos. O Botafogo, que ainda tem um dos melhores dentre os quatro grandes, deixa a desejar em muitos aspectos. Na verdade, o único clube que soube fazer um bom programa para o sócio torcedor foi o Corinthians. Que sirva de exemplo para os outros...

Enquanto isso, os estádios estão lotados nos entediantes jogos do campeonato espanhol. E não venham me dizer que os espanhóis são mais apaixonados por futebol do que os brasileiros. O Brasil é o verdadeiro país do futebol. Chega dessa mania de tentar implementar aqui o modelo europeu, com estádios de primeiro mundo e ingressos caríssimos. 
O brasileiro vive e respira futebol. Pensando assim, vemos que o que está sendo tirado dele não é apenas a diversão de domingo, mas seu sagrado direito de viver e respirar - ou de amar verdadeiramente o seu clube.

terça-feira, 25 de março de 2014

O comentario que virou post

Ja havia um bom tempo que eu estava para postar falando do desdém que a imprensa em geral trata o Botafogo especificamente nessa Libertadores.

Muito embora os "queridinhos" da mídia, ao contrario do Botafogo, estejam em situações muito delicadas nas competições em que participam, eles sempre acham uma desculpa para justificarem o iminente fracasso do Flamengo, Cruzeiro, Fluminense e Corinthians enquanto afirmam que o Botafogo so faz boa campanha por estar num grupo muito fácil, como se Emelec, Bolivar, Real Garcilaso, Defensor e Horizonte fossem infinitamente superiores a Independiente Del Valle, Union Espanola e San Lorenzo.

Por isso fiz um comentario no post anterior da Lohana e que achamos por bem transforma-lo num post que pode ser lido logo abaixo.

A flapress esta secando o Botafogo mas esquece que seu clube queridinho esta numa situação muito delicada. 

Ja a flumídia ainda esta procurando entender o que existe alem do Horizonte. 

No lado da molambada paulista a ordem e enaltecer o estadio que foi dado ao clube pelo ex-presidente molusco. 

Enquanto isso o nosso Fogão vai comendo pelas pontas e quem sabe nao fatura essa Libertadores para calar de vez essa imprensa marrom. 

Saudações alvinegras a todos.

segunda-feira, 24 de março de 2014

A mídia que se exploda

O que tem saído ultimamente na imprensa esportiva quase sempre tende a reduzir o Botafogo a um time fraquíssimo e totalmente sem chances de ganhar a Libertadores 2014.

Que o time é fraco, eu concordo. 

Mas a verdade é que essa Libertadores, como um todo, é uma das mais fracas dos últimos tempos.

Apesar disso, os dois campeões nacionais de 2013, Cruzeiro e Flamengo, estão em uma situação bastante preocupante, correndo grande risco de não se classificarem para as oitavas.

O engraçado é que não vejo nenhum comentarista falando mal do Cruzeiro. Ele continua sendo um dos favoritos, enquanto o Botafogo "não irá muito longe nessa Libertadores". Em relação aos molambos, a Globo até que tentou, mas não pôde mais promover esse time ridículo depois da última derrota.

O Botafogo parece esquecido por todos, como um mero coadjuvante na competição. 

Chegaram a dizer que só somos líderes porque nosso grupo é fraco. Concordo, mas existe algum grupo forte, por acaso???

Precisamos vencer o próximo jogo e garantir a classificação com uma rodada de antecedência para calar a boca dessa mídia nojenta. E tem mais: com a molambada eliminada, a Globo se verá obrigada a transmitir os nossos jogos!

quinta-feira, 13 de março de 2014

É hora de rezar

No último post, afirmei que seria preocupante se encontrássemos no Equador qualquer problema além da altitude.

Pois bem, encontramos muitos.


E não falo das péssimas condições do gramado ou da chuva forte que o transformou em um pântano.


É, no mínimo, gravíssimo que os jogadores se deixem dominar completamente por um time que, até pouco tempo atrás, nunca havia disputado a série A do campeonato equatoriano. Foi isso que aconteceu no primeiro tempo. 

Qual era o sentido disso? Jogar no contra ataque? Pois a verdade é que esse time lerdo e sem objetividade tem pouquíssimas chances de matar o jogo em um contra ataque.

E não é só isso. Não vim aqui falar mal, uma vez que apoiarei o Botafogo até o fim, mas temos que saber nossas limitações. O time é fraco. Húngaro, por sua vez, não passa absolutamente nenhuma segurança para a equipe. Talvez nesse fato esteja a explicação para a imaturidade de certos jogadores, que nos custou uma amarga derrota na noite de ontem.


O fato é que, incrivelmente, merecíamos ter saído para o intervalo perdendo por 3 a 0 daquele time.


No segundo tempo, a postura melhorou, mas esbarramos em problemas técnicos. Ou táticos. Não só a qualidade do passe no meio campo comprometia qualquer jogada, como também simplesmente não havia jogadas. Levantar a bola na área para Ferreyra? Convenhamos, ninguém vence uma Libertadores dessa forma.


Mas, no fim das contas, a derrota no Equador não foi tão ruim, dado que ainda somos líderes e temos dois jogos em casa pela frente.


Ainda restam-me esperanças. Talvez a explicação para o péssimo jogo de ontem esteja na união entre quatro fatores: a altitude, o gramado, a chuva e a arbitragem. Quem sabe na terça, no Maracanã, com uma bela noite estrelada, esse time repita uma das poucas belas atuações que teve até agora.


Vamos rezar... E apoiar até o fim!

terça-feira, 11 de março de 2014

Analisando o adversário: Independiente Del Valle

Nosso único obstáculo no jogo de amanhã deve ser a altitude. 
Qualquer outro problema mostrará que nosso time não está preparado para ir longe nessa Libertadores, já que esse é certamente o adversário mais fraco do grupo.

O Independiente Del Valle tem pouca ou nenhuma tradição no futebol. Em seus apenas 55 anos de existência, seus títulos se resumem a uma série B e uma série C do campeonato equatoriano.


Em 2013, na melhor campanha da sua história, conseguiu o vice-campeonato da série A, que lhe rendeu sua primeira participação na Libertadores. 


Nem mesmo a pressão de jogar fora de casa poderá ser um obstáculo, já que o estádio do Independiente tem lugar para apenas 8 mil pessoas.


Como defendi no último post, nenhum empate fora de casa deve ser visto como resultado ruim (desde que vençamos em casa, é claro). Mas acredito que dá para vencer esse jogo. A derrota, obviamente, é inadmissível.


O importante é que o nosso time, mesmo sabendo de tudo isso que escrevi aqui, não entre em campo de salto alto.

Vamos lá, Fogão!

quinta-feira, 6 de março de 2014

Cortem o cordão umbilical

Semana passada, empatamos em 1x1 com o poderoso Unión Española no Chile. 
Com a vitória do San Lorenzo, continuamos líderes isolados do grupo, com 4 pontos, e temos pela frente dois jogos em casa e dois fora.

Hoje empatamos em 2x2 com o mais poderoso ainda Audax.

Esse resultado significa praticamente um adeus ao estadual de 2014, sendo a primeira vez nos últimos dez anos que não chegaremos às semifinais.

É certo que, depois de 18 anos de ausência na Libertadores, ninguém está muito preocupado com o Carioca. Mas é verdade também que não esperávamos uma campanha tão ruim assim, com grande possibilidade de terminarmos o campeonato no meio da tabela, atrás de Cabofriense, Nova Iguaçu e outros.


Considero nossa eliminação do Carioca boa por dois motivos:

- Evitaremos uma maratona de jogos que poderia comprometer nosso desempenho na Libertadores e focaremos no campeonato que realmente importa este ano;
- Caso façamos péssima campanha na Libertadores, não teremos de ouvir o dentista dizer novamente que chegamos a quatro finais estaduais em cinco anos. Seu argumento perderá a validade em um ano no qual fizemos um campeonato carioca ridículo.

Considero, por outro lado, ruim por um motivo:

- Como todo botafoguense, tenho medo do que pode acontecer na Libertadores.

Mas a verdade é que precisamos nos soltar do cordão umbilical que nos liga aos títulos estaduais. Parece que, se não fizermos um bom Carioca, nosso ano estará perdido, visto que não temos condições de ganhar mais nada. Afinal, somos botafoguenses e pessimistas.


É hora de nos libertarmos desse carma e enxergarmos mais longe. 

Desvencilhem-se do Carioca, sem pena.

Considero que o empate com o Unión Española foi péssimo pelo jogo, mas bom pelo resultado. O time é bem fraco e certamente poderíamos ter aberto 2 a 0 de cara, mas não dá para encarar um empate fora de casa na Libertadores como um resultado ruim. Se vencermos em casa e empatarmos fora todos os jogos, terminaremos líderes do grupo.


Eu acredito no Botafogo em 2014. Sem título carioca.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Uma estrela brilhará


Essa foto foi tirada ontem, no topo da Pedra da Gávea, duas horas antes do início da partida contra o Fluminense.

A pessoa que está segurando nossa sagrada bandeira sou eu, mas poderia ser qualquer outro botafoguense - e exatamente por isso resolvi tirar a foto de costas.


Quero que você, torcedor do Botafogo, consiga, ao menos neste momento, enxergar as coisas sob essa perspectiva. 
Imagine-se segurando essa bandeira no topo da Pedra da Gávea, admirando o visual da cidade mais linda do mundo. 

Acima de tudo e de todos.

Só você e seu eterno amor pelo Botafogo.

Mentalize. Ontem eu mentalizei e nossos reservas venceram por 3 a 0 o time titular do Fluminense, placar merecidíssimo.


Só o que estou pedindo, no fim das contas, é para você acreditar no Botafogo. Deixe toda a raiva, o medo, as angústias e os traumas anteriores e focalize no hoje e no agora.


Estamos na Libertadores, finalmente. Sonhe, acredite, apoie incondicionalmente!

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Recordar é viver - o Glorioso Campeonato Carioca de 1910

Poucos alvinegros sabem o momento exato em que o Botafogo recebeu o apelido de "Glorioso".

Pois bem, foi no ano de 1910, durante o Campeonato Carioca. Com uma campanha espetacular, o Botafogo Football Club - que, 32 anos depois, fundiu-se com o Clube de Regatas Botafogo e deu origem a nosso querido Botafogo de Futebol e Regatas (para mais detalhes, ver meu post de julho do ano passado: http://realfogo.blogspot.com.br/2013/07/recordar-e-viver-fusao-de-1942.html) - sagrou-se campeão com uma rodada de antecipação, um ano depois de aplicar a maior goleada da história do futebol brasileiro.

24 a 0 sobre o Mangueira, Campeonato Carioca de 1909, no estádio da Voluntários da Pátria.

Infelizmente, o Botafogo estreou no Carioca de 1910 com uma derrota de 4x1 para o América. Depois disso, no entanto, o Glorioso não perdeu mais nenhum jogo, vencendo treze e empatando apenas dois. 
Nossa sequencia de vitórias incontestáveis em 1910 inspirou Lamartine Babo que, ao compor nosso hino, pôs o verso "não podes perder, perder para ninguém".

E quantas goleadas!

15 a 1 sobre o Riachuelo, 11 a 0 sobre o Haddock Lobo, 7 a 0 sobre o Rio Cricket e 6 a 1 sobre o Fluminense foram apenas algumas delas. 

O prestígio foi tanto que, nesse período, grande parte das cartas que chegavam à administração do clube iniciavam-se da seguinte forma: "Ao Glorioso Botafogo F.C.". 
Foi nesse período que surgiu esse apelido que, frequentemente escrito em cima do nosso escudo, parece fazer nossa estrela solitária brilhar ainda mais.

Segundo a revista Ilustração Esportiva: "O Glorioso clube alvinegro apresentou-se com uma formidável equipe em que não havia falhas, quer na defesa, quer no ataque."

De uma coisa tenho certeza: de tantos times no mundo, pouquíssimos poderiam ser apelidados de "Glorioso". Não sei se por sorte ou por destino, mas o Botafogo conseguiu fazer jus a esse belo apelido, criando craques que entraram para a história do futebol mundial, sendo o clube que mais cedeu jogadores à seleção no século XX e construindo uma das mais belas histórias que um clube de futebol pode ter.

Podem ter certeza de que nenhum clube no mundo teve tantos craques e tantas histórias como o Glorioso Botafogo - que, já em 1910, mostrava ao mundo sua grandeza e tradição no futebol.

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Cadê o dinheiro?

Ano passado, antes mesmo de o Campeonato Brasileiro chegar à sua metade, perdemos jogadores importantes como Vitinho, Fellype Gabriel e Andrezinho. 
Nenhum reforço à altura foi contratado para suas funções e, por sorte, conseguimos uma vaga na Libertadores jogando com um time que, em muitas partidas, chegou a ser mais do que 50% composto por jogadores inexperientes da base, os quais mostravam-se frequentemente nervosos e afobados em campo.

No final do ano passado e no início deste ano, apesar da vaga conquistada na Libertadores, competição que não disputávamos havia exatos 18 anos, saíram por nossa porta Oswaldo de Oliveira, Seedorf, Rafael Marques, Bruno Mendes, Lucas Zen, Gilberto e Elias.
Só em nosso ex-treinador, a economia foi de 400 mil reais por mês de salário, já que Húngaro ganha apenas 50 mil contra os 450 mil que Oswaldo recebia.
Além disso, as vendas de Seedorf e Rafael Marques representaram, só em termos de salário, uma economia de quase um milhão de reais (700 mil do primeiro e 220 mil do segundo).
A saída de Elias para um clube chinês provavelmente rendeu também muito dinheiro ao clube. Não achei em nenhum lugar o valor pelo qual o atacante foi vendido, mas acredito que apenas uma oferta milionária poderia tirá-lo daqui no início de uma Libertadores, tendo ele acabado de renovar seu contrato com o clube.

Se somarmos todo esse dinheiro economizado nos salários mais o da compra dos jogadores e adicionarmos ainda a quantia recebida pela Guaraviton e pela Telexfree, a conta vai dar bastante alta. Principalmente porque, com seus nomes expostos em uma competição de nível internacional, ambas as marcas tendem a aumentar o valor de seu patrocínio.

O que percebo, no entanto, é que todo esse dinheiro não tem sido usado na compra de reforços realmente significativos, mas em meras apostas
Trata-se de comprar jogadores mais baratos, que ficaram muito tempo esquecidos fora do Brasil, mas já fizeram sucesso algum dia em um time brasileiro. É o exemplo do Wallyson. Por enquanto, essa é uma aposta que tem dado certo, mas não podemos negar o risco que corremos ao construir um elenco para a Libertadores baseado unicamente em apostas.
Jorge Wagner também é uma aposta, porque não sabíamos se a idade o permitiria jogar um bom futebol.
Os estrangeiros, por outro lado, têm sido apostas interessantes. Bollati, Ferreyra e agora Zeballos são jogadores não muito caros, mas também não inexperientes, que podem ser muito úteis em uma competição como Libertadores.

Porém, a questão principal é que nosso elenco continua fraco. Conseguimos, por sorte, montar um bom time para jogar a Libertadores. Mas a verdade é que não temos jogadores substitutos à altura; nosso time B é muito fraco. 
Nesse sentido, fica o questionamento sobre a venda de tantos jogadores. Mesmo com a chegada de Zeballos, Elias não seria ainda um ótimo banco? Ou será que essa diretoria não percebe que na Libertadores também se leva cartão amarelo, suspensão ou um chute na canela?

Além de não termos contratado nenhum reforço significativo, tenho sempre a sensação de estar saindo mais gente do que entra, em um momento em que deveria acontecer exatamente o oposto. 
A pergunta que não me sai da cabeça é simples: para onde foi todo esse dinheiro?

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

O gigante voltou - e não está de brincadeira!

No início do jogo contra o Deportivo Quito, o excesso de chutões e a visível falta de entrosamento dos jogadores me fizeram pensar que, mesmo que o Botafogo conseguisse a vaga na Libertadores, estaria em um nível muito abaixo da maior parte dos times que disputam esse campeonato em 2014.
A goleada por 4x0 pouco significou diante de um adversário tão fraco, que sequer chegava ao nível dos últimos lanternas que disputaram a série A do Campeonato Brasileiro.

Ontem foi diferente.
Jogamos melhor, apesar de o San Lorenzo ser bastante superior ao Deportivo Quito. Não significa, no entanto, que seja um Barcelona. E, se foi campeão argentino, pode-se constatar que essa Libertadores não deve ter muitos times realmente bons, além dos brasileiros.

Mais do que entrosado - com uma longa troca de passes que resultou em "olé" no fim da partida -, o Botafogo entrou nessa Libertadores com um espírito diferente do que estamos acostumados a ver. 
Longe do visível complexo de inferioridade que marcou jogos traumáticos, como nossa vexatória eliminação da Copa do Brasil no ano passado, entramos na Libertadores 2014 com a cabeça erguida e dispostos a dar a vida por esse título.

Unidos! 

A torcida, nos dois jogos, certamente fez nossos adversários enxergaram o novo Maracanã como um grande caldeirão à altura da Bombonera. 
Muitas vezes, não basta a torcida estar presente. Mas é inegável que 32 mil pessoas cantando, pulando e fazendo festa durante 90 minutos podem desestabilizar qualquer adversário.

O time e a torcida nunca estiveram tão unidos.
E talvez ainda estivessem em guerra se Seedorf não tivesse se mandado para o Milan, já que muitas vezes, ao invés de se unir a nós, ele nos criticou. 

Mas vamos falar do que realmente importa...

O Botafogo parece ter entendido o espírito da Libertadores, apesar dos 18 anos de ausência. 
O que vi, principalmente ontem, foi um time jogando com raça, vontade e esperteza. Todos estão de parabéns, com destaque para Edílson, Bolívar e Wallyson. 
Sou totalmente a favor da formação de Húngaro, com Tanque e Wallyson no ataque. Enquanto um engana, o outro se aproxima perigosamente, como bem ressaltou nosso treinador.

O Botafogo jogou em clima de guerra, como deve ser tratado qualquer jogo da Libertadores, e soube fazer catimba no fim e aproveitar os espaços deixados pelo San Lorenzo.

Conseguimos mostrar a todos que o gigante voltou e não está de brincadeira.
A classificação para as oitavas está encaminhada e, se continuarmos assim, teremos grande chance de chegar muito longe nessa Libertadores.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

O jogo da libertação

Com mais de 50 mil ingressos vendidos, a nossa torcida fará hoje uma das maiores festas deste século, para ninguém botar defeito.

Nenhum resultado negativo poderá ser atribuído à nossa ausência.

Dada a limitação e a falta de entrosamento do elenco, tal como ficou claro no lento e sonolento jogo de quarta-feira passada, não é impossível que vivenciemos hoje um dos maiores vexames da nossa história. 
Mesmo com 2 a 0 de vantagem, teremos de sofrer até o fim para não levarmos um gol. Só uma goleada nos deixa tranquilos. Mas sabemos que, se não for sofrido, não é o Botafogo.

Espero que o time entre em campo com uma mentalidade vitoriosa e demonstre ao menos um grande empenho em golear nosso fraquíssimo adversário.

Com tantas saídas sem reposições à altura, o esforço terá de ser maior. Mas entendo o jogo de hoje como um exercício de crescimento, entrosamento e fortalecimento do nosso time.

Jogar bem hoje é fundamental.

Estou saindo de casa. Que as estrelas nos mostrem o caminho certo!

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Boicotem o estadual - e apóiem a Libertadores!

Confesso que não assisti a nenhum jogo do Campeonato Carioca até agora.
É claro que, com a proximidade da estréia na Libertadores, ninguém está muito preocupado com o estadual. Mas, no meu caso, não é apenas isso.
Na verdade, estou torcendo contra o Botafogo no Carioca pelo simples fato de que não engulo nosso presidente dizendo que a torcida não tem do que reclamar, afinal o Botafogo foi para 4 finais estaduais em 5 anos(!!!).
Se o Botafogo não ganhar a Libertadores, saibam que é essa desculpa que ele usará. Ciente disso, eu simplesmente torço para que sequer cheguemos à final do estadual. Assim, caso passemos por um vexame na Libertadores, ninguém poderá alegar que "pelo menos estamos na final do estadual de novo, enquanto no meu tempo o Botafogo ficou 21 anos sem ganhar um titulo."

Estou muito apreensiva para amanhã. Não estou muito confiante no time, principalmente pelo fato de os jogadores terem tido apenas um dia para se acostumarem com a altitude de Quito. Por que não viajaram antes?

É óbvio que o caminho que se escolheu foi o desmonte do elenco, assim como na Libertadores de 1996. Esse é mais um motivo de apreensão, já que talvez sejamos surpreendidos com uma falta de entrosamento entre os jogadores, alguns dos quais veremos entrar em campo pela primeira vez amanhã.

Mas, apesar de tudo, acredito que este não é o momento de criticar, e sim de apoiar incondicionalmente. E é isso que a torcida tem feito, comprando pacotes de viagem para Quito, esgotando os setores norte e sul do Maracanã mesmo antes do primeiro jogo, ajudando a pagar a divida do clube, virando sócio torcedor de ultima hora.
Neste momento, ninguém pode reclamar da nossa torcida.

Respirem fundo! Amanhã, às 22h, estaremos de volta à Libertadores depois de 18 anos de espera.

domingo, 19 de janeiro de 2014

Lágrimas de crocodilo

Seedorf nos deixou.

Sinceramente, não acredito nas lágrimas que derramou em sua "despedida" - e assim escrevo, entre aspas, porque ele próprio se recusou a dizer adeus ao nosso clube de uma forma decente.

Digo isso porque, muito provavelmente, Seedorf já tinha decidido ser técnico do Milan em 2014 há muito tempo, e só não o fez antes porque não podia simplesmente romper o contrato com o Botafogo. Na verdade, duvido muito que ele não estivesse desesperado para sair daqui, onde foi vaiado e incompreendido pela mal agradecida torcida alvinegra. Em seus pensamentos, um craque como ele jamais poderia ter sido tão humilhado.

Mas é claro que ele tinha que chorar para mostrar ao mundo o jogador sensível e humilde que é - mas que nós, botafoguenses, sabemos que não é. 
Esse jogador sensível veio ao Brasil para ser maltratado, muito embora tenha nos dado muitas e importantes lições de vida e de moral, como amarelar em jogos decisivos, agredir um companheiro recém chegado da base na frente do país inteiro e não assumir suas próprias culpas, jogando-as sempre na torcida, que jamais comparecia ao estádio.

O impacto de sua saída sobre a minha alma botafoguense foi simplesmente nulo.

Sei que é - ou foi? - um grande craque do futebol mundial, mas certamente não nasceu para jogar no Botafogo. Não houve química ou paixão. Daqui a uma década, sua passagem será comentada da seguinte forma: "Caramba, lembra que o Seedorf jogou no Fogão por um ano e meio?". E só.

A explicação para isso está no fato de que o Botafogo não é apenas um grande clube, com uma linda história, onde jogaram alguns dos maiores craques do futebol mundial; o Botafogo é um lugar místico e cheio de superstições, no qual não basta ser um bom jogador para se destacar no meio da multidão. Ser ídolo, em General Severiano, é algo que não necessariamente apresenta uma correlação positiva com o fato de ser ídolo em qualquer outro lugar do mundo, ou mesmo no mundo inteiro.
Seedorf foi incapaz de compreender isso pelo simples fato de jamais ter realmente respirado o ar de General Severiano.

O que mais me indignou foi o fato de ele ter nos enrolado tanto tempo antes de comunicar sua decisão. O que se sabia era de seu pedido de mais um tempo de férias. 
E, então, subitamente, adivinhem? Seedorf vai sair. Ninguém acredita que ele decidiu isso do dia para a noite, correto? Então, é óbvio que ele simplesmente ignorou o fato de estarmos montando um time para a Libertadores e decidiu comunicar a todos na hora que julgasse mais adequada. E, é claro, dane-se o Botafogo.

Sei que foi realmente um adeus pois, apesar do discurso emocionado, ele nunca mais vai procurar saber nada sobre o nosso clube.

Então, que assim seja. Adeus, Seedorf.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Patrocínio duvidoso

Depois de fecharmos um patrocínio com uma empresa que foi expulsa do Brasil pela realização de práticas ilegais, a notícia boa é a chegada de El Tanque, um atacante de 1,91m. Será um novo Loco Abreu, porém mais jovem? Parece uma boa opção para a Libertadores, apesar de ter escorregado na final do ano passado na hora de fazer o gol.

É difícil enxergar o patrocínio da Telexfree como algo positivo, ainda mais quando levamos em conta que o acordo foi assinado em Miami justamente porque a empresa é ilegal no Brasil. Na minha opinião, essa é apenas mais uma evidência de que a gestão de Mauricio Assumpção não é das mais limpas.

Mas, como a besteira já está feita, vejamos como podemos aproveitá-la. Pelo visto, agora teremos dinheiro. Só nos resta saber se ele será usado para a contratação de mais reforços para a Libertadores ou para financiar a campanha política do dentista.

Em relação a Seedorf, não sei se é verdade a história de que ele está indo para o Milan. Mas, se for verdade, que vá logo.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Por um 2014 Glorioso

Primeiramente, feliz ano novo a todos!

Em 2013, tivemos a alegria de ver nosso Botafogo se classificar para a Libertadores após uma ausência de 18 anos. Esperamos que, em 2014, consigamos algum título de peso!

Mas, como sempre, não estou muito otimista. Preocupa-me a pouca quantidade de reforços já acertados para a Libertadores, bem como as possíveis saídas de alguns jogadores. Não contratamos ninguém de peso até agora e até mesmo nosso novo técnico parece não ter muita experiência.

Sobre Jorge Wagner, acredito que, aos 35 anos, esteja um pouco velho para jogar uma Libertadores. Talvez dê certo, mas é provável que acabe se cansando e não tenha "pique" suficiente. Outra preocupação é em relação a Seedorf que, se ficar, não poderá jogar jamais ao lado de Jorge Wagner, ou teremos um time lento e ancião. 

Em relação a Bolatti, creio que foi uma boa contratação. É um jogador jovem e experiente que poderá fazer uma boa dupla com o jovem Gabriel. Além disso, é argentino, uma característica importante quando se joga um campeonato cheio de artimanhas como a Libertadores.

Mas o fato é que precisamos de um centroavante. Atacantes, não temos quase nenhum. Se a saída de Elias se confirmar, a situação ficará negra. 
Aliás, ninguém além de Seedorf e Renato pode sair.

O Botafogo está fazendo uma economia enorme em salários e contratações, e sempre pensei que isso se devesse ao fechamento do Engenhão. Agora, com acusações sobre Maurício Assumpção de roubo do dinheiro do clube para financiar campanhas políticas, tudo ficou mais claro. 
Talvez ele esteja mais interessado em se eleger do que em montar um bom elenco para a Libertadores...